O presidente da Câmara dos Comuns (Câmara baixa) do Parlamento britânico, Michael Martin, disse nesta terça-feira que deve renunciar ao cargo em junho próximo, depois de ser duramente criticado pelo seu comportamento durante o escândalo do reembolso de despesas de parlamentares. Martin disse a colegas que deixaria o cargo no dia 21 de junho, para manter a unidade da Casa.

Se a renúncia for confirmada, será a primeira vez em 300 anos que o presidente da Câmara dos Comuns é forçado a deixar o cargo.

Para muitos parlamentares e setores da opinião pública, Martin se empenhou mais em evitar que revelações sobre gastos pessoais de deputados viessem a público do que em reconhecer erros de conduta na Casa e mostrar disposição para introduzir reformas no sistema vigente.

Um grupo de 23 deputados chegou a submeter uma moção de desconfiança contra o presidente da Câmara, um gesto raro na história parlamentar britânica.

O parlamentar do oposicionista Partido Conservador Douglas Carswell, que apresentou a moção, disse que o sistema parlamentar passou a sofrer com má reputação, com muitos deputados sendo vistos como "parasitas" por causa do escândalo.

Mas Carswell disse à BBC que "a saída de Michael Martin não é o fim, é o começo - o novo presidente tem que ser reformista, precisa ser progressista".

Nick Clegg, líder do partido Liberal Democrata, também de oposição, disse à BBC ser favorável à renúncia de Martin, que vinha agindo, segundo Clegg, como um "defensor teimoso do status quo".

Para outras parlamentares, entretanto, como Austin Mitchell - do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Gordon Brown -, o presidente do Parlamento foi vítima de uma "caça às bruxas". "Não foi culpa dele", disse Mitchell à BBC.

Brown e o líder do Partido Conservador David Cameron não quiseram se posicionar sobre o presidente da Câmara dos Comuns, dizendo que este é um assunto para o Parlamento, e não para o governo ou para a oposição.

Cargo
Martin, de 63 anos, é deputado do Partido Trabalhista por Glasgow há 30 anos e preside o Parlamento desde o ano 2000.

O cargo que ainda ocupa é um dos mais importantes da política britânica. O presidente, ou "speaker" da Câmara dos Comuns, representa a Casa junto à família real e na Câmara dos Lordes (Câmara alta do Parlamento) e dirige os trabalhos do Parlamento.

Ele dirige, também, o escritório que supervisiona e autoriza as despesas e verbas de gabinete dos deputados.

Foram dados vazados por este escritório que permitiram que a imprensa britânica passasse a revelar pedidos de ressarcimento de gastos pessoais feitos por deputados.

Pedidos como reembolso de gastos com estrume para uso em jardins, manutenção de piscinas e pagamento de salários para governantas escandalizaram a opinião pública.

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