Presidente do México convoca cruzada contra crime e pobreza

Nas comemorações dos 200 anos da independência mexicana, Calderón pede união para "vencer o pesadelo, o temor e a passividade"

iG São Paulo |

O presidente Felipe Calderón convocou os mexicanos para uma cruzada contra a pobreza e o crime, em discurso proferido nesta quinta-feira para comemorar o bicentenário mexicano. Os festejos pelos 220 anos da independência em todo o país acontecem em meio a fortes medidas de segurança.

"É momento para nos unirmos para conquistar um destino melhor, para construir um México mais equitativo, mais seguro, mais democrático", afirmou Calderón na mensagem lida em cerimônia com representantes do Congresso e do Poder Judiciário.

AP
Fogos de artifício estouram sobre a Catedral Metropolitana durante as celebrações do bicentenário na Cidade do México

No início de seu governo em dezembro de 2006, Calderón lançou uma ofensiva contra os cartéis do narcotráfico, que deixou até agora mais de 28 mil mortos, e convidou os mexicanos a "vencer o pesadelo, o temor e a passividade". "Sei que teremos a grandeza necessária para que os mexicanos do futuro saibam que a geração do bicentenário foi a que enfrentou com integridade o desafio de ser uma sociedade baseada na legalidade e na ordem", acrescentou.

Na noite de quarta-feira, o presidente deu o tradicional "grito" no Zócalo (praça central) da capital mexicana, diante de milhares de pessoas, para celebrar os 200 anos da independência do México. "Viva os heróis que nos deram a pátria! Viva a independência nacional, viva o bicentenário da independência, viva o centenário da revolução! Viva o México!", gritou Calderón, com a bandeira do país nas mãos, na sacada do Palácio Nacional.

Mais de 60 mil pessoas se reuniram na praça para acompanhar as comemorações na noite de quarta-feira. Após o discurso de Calderón, cantaram o hino nacional e assistiram a um espetáculo de queima de fogos de artifício, luz e som, que custou US$ 40 milhões. O tradicional "grito" no Palácio Nacional foi precedido por uma cerimônia pré-hispânica no Zócalo, um desfile de carros alegóricos e diversas apresentações no centro da Cidade do México.

Ainda na noite de quarta-feira, dezenove pistoleiros foram mortos num confronto com militares em Ciudad Mier, Estado mexicano de Tamaulipas (nordeste), fronteira com os Estados Unidos e um dos mais afetados pela violência do narcotráfico. O confronto aconteceu depois de uma ligação anônima que denunciou a presença de um bloqueio de homens uniformizados numa estrada da Tamaulipas. 

Depois de confirmar que os homens uniformizados não eram oficiais, o Exército iniciou a operação que resultou na morte dos 19 falsos militares.

Brasileiro identificado

Futura Press
Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, era morador de Santa Efigênia de Minas, em MG

O corpo do segundo brasileiro morto no massacre de 72 imigrantes em Tamaulipas, no nordeste do México, foi identificado nesta quarta-feira. O mineiro Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos , foi identificado entre as outras vítimas assassinadas há quase um mês, quando tentavam cruzar a fronteira mexicana para os Estados Unidos.

O passaporte de Santos já havia sido achado pelas autoridades no local da chacina, onde também foi encontrado o corpo do também mineiro Juliard Aires Fernandes, de 20 anos. Os peritos, no entanto, levaram dias para comparar a impressão digital de Santos com as informações disponíveis nos documentos do rapaz.

A identificação do brasileiro foi confirmada à BBC Brasil pela consulesa-adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss. "O corpo dele foi achado juntamente com os corpos que ainda não tinham sido identificados pela perícia", afirmou Weiss.

De acordo com a consulesa-adjunta, não há outros brasileiros identificados entre as vítimas do massacre, um dos maiores na luta entre governo e os cartéis da droga. O governo mexicano aponta o cartel Los Zetas como o principal suspeito da chacina, ocorrida no mês passado. Os 72 imigrantes teriam sido assassinados pelos traficantes por se recusarem a trabalhar para o grupo.

* Com AFP e BBC

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