O rabino Israel Lau, presidente do Memorial do Holocausto de Yad Vachem, sobrevivente de campos de concentração, pediu nesta terça-feira ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que patrocine um encontro entre ele e o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad.

"Na condição de criança do (campo de concentração de) Buchenwald, quero me reunir com o iraniano para que ouça meu testemunho e para que eu possa provar que está errado ao negar a existência da Shoah (Holoucausto)", acrescentou, referindo-se ao genocídio de 6 milhões de judeus durante a 2ª Guerra (1939-1945).

AFP
Lula e Marisa visitam o Museu ao lado do diretor Israel Meir Lau

Lula e Marisa visitam o Museu ao lado do diretor Israel Meir Lau

O rabino Lau, libertado do campo de concentração de Buchenwald em 1945, quando tinha 8 anos, pediu ao presidente brasileiro que transmita o convite ao iraniano para que se reúnam "não importa onde e não importa quando". Lula deve visita o Irã em 15 de maio.

Lula visitou nesta terça-feira o Yad Vashem , dedicado à memória dos 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas no conflito.

O presidente brasileiro afirmou, na ocasião, "que a humanidade não pode permitir que a Shoah ocorra novamente. Nunca mais, nunca mais, nunca mais".

O presidente Lula também declarou que conhecer o local era "quase obrigatório" para qualquer chefe de Estado do mundo.

A visita ao museu foi registrada no mesmo dia em que estava programado, pela chancelaria israelense, e não ocorreu, a visita ao túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista que deu origem a Israel. Seu aniversário de 150 anos está sendo celebrado pelo governo hebreu.

O Brasil ocupa atualmente uma vaga de membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU e o governo prega o diálogo com Teerã, enquanto Israel procura isolar e impor sanções duras contra o Irã para deter seu programa nuclear.

Na quarta-feira, Lula visitará uma das áreas mais violentas da Cisjordânia, a cidade de Ramallah. No local, vai inaugurar uma rua chamada Brasil e levar uma oferenda em homenagem a Yasser Arafat - um dos principais líderes palestinos, morto em 2004. Ele é considerado símbolo da causa nacional palestina.

'Abu Ammar' (nome de guerra de Yasser Arafat), a quem os palestinos chamavam carinhosamente de 'O velho', foi eleito em 1996 como presidente da Autoridade Nacional Palestina, nascida dos acordos de Oslo negociados por ele em segredo em 1993.

Arafat tentou manter vivo o fogo nacionalista, exaltando o martírio, saudando a Intifada (revolta palestina) e prometendo que, um dia, uma criança ergueria a bandeira palestina sobre as muralhas de Jerusalém.

Da Cisjordânia, o presidente do Brasil segue para a capital da Jordânia, Amã, onde encerra sua visita ao Oriente Médio.

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