Presidente do Líbano recebe prisioneiros libertados por Israel como heróis

Os cinco prisioneiros libaneses libertados por Israel nesta quarta-feira foram recebidos como heróis em Beirute pelo presidente do Líbano, Michel Suleiman, em um dia de festa no país. Centenas de pessoas celebraram a libertação de Samir Qantar, Khodor Zaidan, Maher Kourani, Mohammed Srour e Hussein Salman, que era prevista em um acordo que também levou o grupo xiita libanês Hezbollah a entregar a Israel os restos mortais de dois soldados israelenses.

BBC Brasil |

"A resistência conseguiu uma importante vitória contra o inimigo, trazendo de volta cinco cidadãos libaneses", declarou Suleiman.

Além de entregar ao Líbano os prisioneiros, Israel também devolveu ao país vizinho os corpos de mais 199 guerrilheiros libaneses e outros árabes.

Qantar
Os prisioneiros libertados chegaram sorridentes em um helicóptero das tropas de paz da ONU (Unifil) ao aeroporto de Beirute para uma cerimônia oficial.

Eles foram recebidos em um tapete vermelho por Suleiman, pelo primeiro-ministro Fouad Siniora e pelo presidente do parlamento, Nabih Berri, e então foram reunidos aos seus familiares.

Segundo o presidente, o país só atingirá seus objetivos quando recuperar as Fazendas de Chebaa e as Colinas de Kfarshouba, regiões ocupadas por Israel e ao sul do Líbano.

Dos prisioneiros libertados, o mais esperado era Qantar, um libanês druso visto como herói no Líbano, mas como um criminoso em Israel.

Ele estava preso há 29 anos, condenado pela morte de três cidadãos israelenses, incluindo uma menina de quatro anos, em 1979, quando o Hezbollah nem sequer existia.

"Vitória"
A libertação dos libaneses se deu no mês do aniversário de dois anos da guerra de 2006, e o Hezbollah organizou uma grande celebração pelo país para mostrar que o acordo foi uma vitória sobre Israel.

O conflito matou mais de 1,2 mil libaneses (a maioria civis) e 157 israelenses (a maioria militares) e foi encerrado pela resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU.

Políticos do grupo xiita e seus aliados declararam à imprensa local que a troca de prisioneiros provou que a "resistência libanesa" acertou ao manter seu armamento para conseguir seus objetivos.

Analistas no país vêem o Hezbollah como vencedor do ponto de vista político, com uma mensagem de que o uso da força pode trazer ganhos para o país.

"O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse antes da guerra de 2006 que traria Samir Qantar e ele cumpriu o que disse. Isso aumentou a simpatia no mundo árabe pelo grupo", disse Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio.

Para o cientista político da Universidade Americana Libanesa, Imad Salameh, o Hezbollah conseguiu que sua agenda fosse reconhecida até pelo presidente Suleiman.

"A questão agora é como o novo governo libanês avaliará sua política oficial em relação às armas do Hezbollah. Isso será cada vez mais difícil, já que o grupo saiu vitorioso tanto no governo quanto no acordo com Israel".

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