Presidente do Líbano pede a Hariri que forme novo governo

Por Nadim Ladki BEIRUTE (Reuters) - O presidente do Líbano, Michel Suleiman, indicou Saad al-Hariri ao cargo de primeiro-ministro neste sábado, dando a ele a dura tarefa de formar o novo governo que pode virar a página após quatro anos de turbulências.

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Suleiman emitiu um decreto presidencial designando o muçulmano sunita Hariri diante de 86 parlamentares da assembleia de 128 cadeiras.

Hariri, apoiado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita, liderou a vitória de uma coalizão política contra o Hezbollah, que tem apoio do Irã, e seus aliados na eleição deste mês. Ele é filho do estadista Rafik al-Hariri cujo assassinato em 2005 fez o Líbano mergulhar na sua pior crise desde a guerra civil entre 1975 e 1990.

O sistema de compartilhamento de poder entre representantes das principais religiões do Líbano reserva o cargo de primeiro-ministro a um sunita.

Em um sinal das dificuldades que o líder de 39 anos enfrentará para formar um gabinete aceitável para todos os lados, o Hezbollah e seus aliados cristãos se recusaram a nomeá-lo.

Apenas 15 da minoria de 57 deputados dessa aliança deram apoio a ele em dois dias de consultas com Suleiman, somando-se ao suporte dado pelos 71 representantes de Hariri.

O principal obstáculo diante de Hariri deve ser a alegação do Hezbollah e de seus aliados de que possuem poder de veto em um novo governo de unidade nacional. Hariri rejeita essa possibilidade, mas diz que buscará trazer a oposição para participar da gestão.

Hariri tem se esforçado para garantir o apoio dos seus poderosos rivais xiitas, que são aliados próximos da vizinha Síria, para que seu governo comece de forma tranquila.

Imediatamente após as eleições de 7 de junho, ele pediu que a polêmica questão do desarmamento do Hezbollah fosse esquecida. O grupo, chamado de terrorista pelos EUA, enfrenta forças israelenses desde o início dos anos 1980.

O grupo lutou uma guerra de 34 dias contra Israel em 2006, na qual 1.200 pessoas morreram no Líbano e cerca de 160 em Israel.

A Arábia Saudita e países ocidentais, incluindo os EUA, têm sido os principais defensores de Hariri após a assassinato do seu pai em 2005. Hariri liderou sua coalizão em meio a uma disputa amarga e às vezes sangrenta com seus rivais.

As tensões entre sunitas e xiitas ameaçaram se transformar em uma guerra civil no ano passado, quando combatentes do Hezbollah perseguiram Hariri e partidários dos seus aliados em Beirute e nas montanhas a leste do país.

Um acordo patrocinado pelo Qatar em maio de 2008 debelou a crise, mas as tensões sectárias ressurgiram na campanha eleitoral.

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