Presidente do Irã parabeniza Obama por eleição

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, parabenizou nesta quinta-feira o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, por sua vitória nas eleições americanas. Acredita-se que esta tenha sido a primeira mensagem oficial de boa vontade de um líder iraniano a um presidente americano.

BBC Brasil |

Na mensagem, Ahmadinejad pede que os Estados Unidos adotem uma política de "não-interferência" na região, parem de incitar guerras e tomem medidas para retomar o senso de honra e esperança dos americanos.

"Eu o parabenizo por conseguir atrair a maioria dos votos dos participantes desta eleição", disse Ahmadinejad na mensagem, divulgada pela agência oficial de notícias iraniana, Irna.

"Como você sabe, as oportunidades dadas por Deus soberano, que podem ser usadas para a elevação das nações ou - Deus nos livre - para seu colapso, são transitórias", acrescentou.

Oriente Médio
"Espero que você prefira os interesses públicos reais e a justiça às exigências intermináveis de uma minoria egoísta, e que aproveite a oportunidade de servir as pessoas para que seja lembrado em alta estima", diz a tradução em inglês da mensagem, divulgada pela Irna.

"Outros países também esperam que as políticas focadas na guerra, ocupação, intimidação, desprezo a outras nações e políticas de imposição discriminatória sejam substituídas por aquelas promovendo a justiça, o respeito aos direitos humanos, a amizade e a não-interferência nos assuntos internos de outros países."
"Eles (outros países) também querem que a intervenção americana seja restrita às fronteiras do país, especialmente no Oriente Médio", acrescenta a mensagem. "É altamente esperado que reverta a atitude injusta ao restaurar os direitos dos palestinos, iraquianos e afegãos."
"A grande nação do Irã saúda mudanças básicas e justas nas políticas e condutas americanas, especialmente na região", completou Ahmadinejad.

Diálogo
Durante a campanha, Obama sugeriu a abertura de uma linha de diálogo com o Irã sobre o programa nuclear do país, e Ahmadinejad demonstrou estar interessado neste contato.

O contato formal entre os dois países é muito raro, apesar de Irã e Estados Unidos terem realizado três rodadas de negociações em 2007 sobre a segurança no Iraque.

As duas nações não têm relações diplomáticas desde pouco depois da Revolução Islâmica de 1979 e a tomada de reféns na embaixada americana em Teerã por 444 dias.

O Irã era parte do que o presidente George W. Bush chamou de países do "eixo do mal". Antes, o líder revolucionário iraniano aiatolá Ruhollah Khomeini, morto em 1989, chegou a descrever os Estados Unidos como o "Grande Satã".

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, acredita-se que Ahmadinejad queira começar a dialogar com os Estados Unidos, apesar de o porta-voz do líder iraniano já ter dito que o governo americano deveria primeiro retirar seu apoio a Israel e sair do Oriente Médio.

Israel, por sua vez, já demonstrou sua objeção a um contato entre Estados Unidos e Irã. A ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, disse que este tipo de diálogo poderia ser intepretado como um sinal fraqueza por parte do governo americano.

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