Presidente do Irã comenta sobre novos equipamentos do projeto nuclear do país

Por Mohamad Shivafar Teerã, 8 abr (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse hoje que as seis mil centrífugas novas que o Irã está instalando em Natanz pertencem a uma nova geração, e são muito mais capazes que as três mil que este país já possui instaladas nessa central nuclear.

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Ahmadinejad, em discurso no Teerã, ressaltou que as provas sobre o êxito dessas novas máquinas de enriquecimento de urânio, "finalizariam em três meses" e rejeitou de novo as pressões do Ocidente para que Teerã suspenda suas atividades atômicas.

"A instalação de seis mil centrífugas novas é um passo simples se comparado com a grande experiência técnica que obtiveram nossos analistas no âmbito nuclear", disse o líder iraniano.

"Nossas conquistas científicas são muito importantes quanto à questão da liga de metais, os cálculos justos e a utilização de novos métodos (...) hoje ninguém pode tirar a tecnologia nuclear das mãos dos iranianos", acrescentou.

As declarações de Ahmadinejad foram feitas durante a comemoração no Irã do Dia Nacional da Energia Atômica, que lembra o primeiro aniversário do anúncio da produção de combustível nuclear em nível industrial do país.

A instalação de novas centrífugas em Natanz foi condenada pelos Estados Unidos, cujo embaixador perante a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Greg Schulte, afirmou que a atitude do Irã "demonstra a clara intenção de violar ainda mais as exigências do Conselho de Segurança (das Nações Unidas)".

Schulte disse que essa atitude "não traz respeito internacional ao Irã, mas mais censura e sanções", se referindo às três resoluções aprovadas nos últimos dois anos contra o país pelo Conselho de Segurança da ONU.

As três resoluções exigem que Teerã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio, as quais EUA e União Européia (UE) suspeitam de que possui fins militares, apesar de os iranianos afirmarem que seu objetivo é pacífico.

Ahmadinejad enfatizou hoje que a tecnologia nuclear e o enriquecimento de urânio, que pode ter uso militar e civil, são um "direito legal do povo iraniano" e que o país "não renunciará a seus direitos".

Além disso, considerou que "o dossiê nuclear já está concluído", deixando entender que a República Islâmica não suspenderá o enriquecimento de urânio, material que pode ter uso civil e militar.

Fontes diplomáticas e comentaristas em Teerã prevêem que a instalação das seis mil centrífugas será concluída em março ou abril de 2009.

Eles também acreditam que, com esta medida, com a qual a República Islâmica pode ter nove mil centrífugas dentro de um ano, o regime de Teerã tenta convencer a comunidade internacional de que isso já é fato consumado, apresentando o Irã como um "país nuclear".

"A transformação do Irã em um Estado nuclear é o primeiro passo em um longo caminho que conduzirá nosso país a um lugar de destaque no mundo", declarou Ahmadinejad.

"Tomara que sejamos testemunhas de grandes avanços em outros campos, especialmente o industrial, graças a essas novas conquistas" no âmbito nuclear, acrescentou.

Ahmadinejad previu, além disso, que os "inimigos se esforçarão por impedir (ao Irã) o acesso a novas tecnologias", e insistiu que "a manutenção da unidade e a obediência ao líder supremo (iraniano, o aiatolá Ali Khamenei) é a chave da vitória".

Sua declaração foi destacada por toda a imprensa local, e a televisão estatal não pára de exibir desde o início da manhã programas e entrevistas sobre os "benefícios da tecnologia atômica para a ciência, a indústria, a agricultura, a medicina e a economia".

Os canais de TV também informam sobre as diferentes etapas de fabricação e funcionamento das centrífugas.

Em todos os colégios do país, os alunos recitaram esta manhã frases como "a energia nuclear é nosso direito", "a energia nuclear está em nossas mãos" e "a energia nuclear é nossa ciência nacional".

Enquanto isso, nas mesquitas foi feita uma "oração de agradecimento" pelas conquistas nucleares do Irã, enquanto as autoridades máximas do país se felicitaram pelo Dia Nacional da Energia Atômica. EFE fa-msh/fb

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