O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, decidiu adiar sua visita à América do Sul para depois da eleição presidencial iraniana, que ocorre no dia 12 de junho, informou nesta segunda-feira o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. O presidente iraniano deverá anunciar ainda nesta semana sua candidatura à reeleição.

Ahmadinejad chegaria a Brasília nesta quarta-feira, e sua visita chegou a ser motivo de protestos durante o fim de semana. No Rio de Janeiro, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação contrária à aproximação entre Brasil e Irã.

O comunicado sobre o adiamento chegou ao governo brasileiro por volta das 16h. Desde a parte da manhã, porém, especulava-se sobre o cancelamento da visita.

Isso porque a agência de notícias oficial do Irã (Irna) já havia publicado, em seu site, a informação sobre o cancelamento da visita. Mas nem o Itamaraty, nem a Embaixada do Irã no Brasil confirmavam a informação.

O subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty, embaixador Roberto Jaguaribe, disse que é "natural" o adiamento de viagens presidenciais em função de "dinâmicas internas".

Quanto ao desencontro de informações, Jaguaribe disse que foi resultado de "notícias especulativas, sem fundamento".

"Posso garantir que, até agora à tarde, nem nós do Itamaraty, nem mesmo o embaixador (do Irã no Brasil), tínhamos confirmação oficial de que a visita seria adiada", disse o embaixador.

Interesse
Jaguaribe reafirmou o interesse brasileiro em estreitar as relações com Irã, em função de seu peso econômico e político. "Se o Brasil fosse ter relações exclusivamente com países com os quais tem plena afinidade, teríamos um universo muito reduzido", disse.

Há cerca de 10 dias, o Itamaraty divulgou uma nota demonstrando "preocupação" quanto ao discurso de Ahmadinejad durante conferência das Nações Unidas sobre o racismo. Na ocasião, o iraniano chamou Israel de "racista" e disse que o Holocausto seria apenas um "pretexto" para proteger os judeus.

Em nota, o Itamaraty disse que o assunto seria tratado no encontro de quarta-feira. Mas Jaguaribe informou que não seria possível "garantir" o assunto em pauta. "Não há restrições, mas também não é possível garantir", disse.

Na última quinta-feira, o embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, disse à BBC Brasil que o assunto "não estava em pauta".

Mesmo sem Ahmadinejad, a comitiva de mais de cem empresários iranianos manteve seus compromissos no Brasil. Eles têm encontros nesta terça-feira, em São Paulo, com empresários brasileiros de diversas áreas, entre elas petroquímica e alimentícia.

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