Sana, 10 abr (EFE) - O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, pediu hoje calma no sul do Iêmen depois dos protestos e dos distúrbios registrados dos últimos dias, e advertiu contra a propagação da cultura do ódio neste país árabe em que as tribos formam a base social. Saleh, em discurso pronunciado em Sana, acusou a oposição do sul do país, reunificado com o norte em 1994, de estar por trás dos protestos, e disse que se queimarão pelo fogo que estão incendiando. Os atos de sabotagem não têm nada a ver com a democracia nem com o sistema multipartidário (..) essas pessoas (os manifestantes) podem se dirigir ao Parlamento e expor suas opiniões ali, disse o governante.

Por sua parte, o primeiro-ministro, Ali Mujawar, ressaltou que 22 policiais ficaram feridos e 75 lojas e prédios governamentais foram danificados nos distúrbios nas províncias do sul, onde centenas de jovens protestaram durante os últimos dez dias para pedir emprego.

Mujawar não mencionou o número de manifestantes feridos, os quais, segundo a oposição, afirma que seriam dezenas, embora tenha revelado que um total de 283 pessoas foram detidas, e que, destas, 161 foram colocadas em liberdade posteriormente.

As manifestações no sul do Iêmen começaram de forma pacífica em Ad Dalee, onde centenas de pessoas protestaram contra a recusa do Exército de lhes oferecer emprego, o que desencadeou distúrbios após a chegada das forças de segurança à região, apoiadas por carros de combate e blindados.

A tensão tem aumentado nas cidades do sul desde as manifestações protagonizadas, em meados do ano passado, pelos habitantes contra a alta dos preços e a "corrupção".

O Iêmen é o país mais pobre da península arábica, e calcula-se que 40% de seus 22 milhões de habitantes vivem abaixo da linha de pobreza. EFE ja/bf/db

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