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Presidente do Haiti teme que haja milhares de mortos; tremor foi o mais forte dos últimos 200 anos

PORTO PRÍNCIPE - O presidente do Haiti, René Préval, disse nesta quarta-feira temer que haja milhares de mortos pelo forte terremoto que atingiu o país na tarde de terça-feira (12). O http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/13/terremoto+de+7+graus+provoca+mortes+e+destruicao+na+capital+do+haiti+9273080.html target=_topterremoto de 7 graus na escala Richter foi o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

iG São Paulo |

Em sua primeira entrevista desde a tragédia, Préval disse ao jornal Miami Herald que o cenário na capital Porto Príncipe é "inimaginável". Por causa da extensão da tragédia, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, chegou até a dizer à rede de TV CNN que temia que centenas de milhares possam ter morrido na tragédia.

"O Parlamento desabou. O escritório de impostos desabou. Escolas desabaram. Hospitais desabaram", afirmou Préval. Segundo a Cruz Vermelha, a estimativa é de que cerca de 3 milhões de pessoas - um terço da população do país - tenham sido afetadas pelo terremoto.


Sobrevivente é resgatada de escombros em Porto Príncipe / AFP

O secretário-geral assistente da ONU para operações de paz, Edmond Mulet, disse à CNN que muitos presos fugiram após o desmoronamento da Penitenciária Nacional , causando temores de saques .

O embaixador do Haiti nos EUA, Raymond Joseph, disse que ainda não há como estimar o número de vítimas. "Estou completamente certo de que enfrentaremos um desastre de grandes proporções", afirmou à rede de TV ABC.

Entre os mortos confirmados estão 11 militares brasileiros e oito da China (que indica haver também dez chineses desaparecidos). Segundo a agência AFP, três soldados da Jordânia também teriam morrido. Os soldados fazem parte da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil.

Segundo um funcionário francês citado pela AFP, há cerca de 200 desaparecidos no Hotel Montana, que desmorou. O local, popular entre os turistas, serve como residência para o comandante da Minustah no Haiti, o brasileiro Floriano Peixoto. Em viagem aos EUA, ele não estava no hotel no momento da tragédia.

Funcionários da ONU confirmaram a morte de cinco membros da organização no país e de mais de 100 desaparecidos da organização. Segundo o presidente haitiano, o chefe da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, Hedi Annabi, está entre os mortos. "O embaixador Annabi morreu. Enviamos nossas condolências a toda a comunidade internacional", disse Préval a jornalistas na capital, Porto Príncipe.

"O número 2 da chefia civil da Minustah é um brasileiro, Luiz Carlos da Costa, e não há ainda nenhuma informação a respeito dele. Por ora está desaparecido", disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim .


Palácio presidencial não resistiu ao terremoto e desabou / EFE

Em um espaço de um minuto, o terremoto deixou o Haiti, o  país mais pobre das Américas , quase totalmente isolado, destruindo vários prédios e interrompendo os serviços de energia e telefonia do país. Estima-se que haja centenas, ou até milhares de mortos, mais números oficiais ainda não não foram divulgados. As informações estão sendo divulgadas de forma desorganizada por conta de problemas de comunicação no país.

O forte tremor provocou o desabamento do histórico Palácio Nacional, de favelas da capital, Porto Príncipe, e centenas de edificações na região.

Ao jornal, o presidente haitiano afirmou ter visto vários corpos e ouvido apelos por socorro de pessoas soterradas sob os escombros do Parlamento. Entre os soterrados estaria o presidente do Senado do Haiti, Kely Bastien. "Há muitas escolas como várias pessoas mortas. Todos os hospitais estão lotados de gente. É uma catástrofe", afirmou.

Há informações de que os sobreviventes estão tentado remover os escombros com as próprias mãos e colocando os corpos encontrados ao longo das ruas de Porto Príncipe.

Segundo o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Raymond as sedes da Receita Federal, do Ministério do Comércio e do Ministério das Relações Exteriores também sofreram danos, mas que o aeroporto da capital estava intacto.

Epicentro

O epicentro do tremor foi registrado a 16 km de Porto Príncipe, que tem uma população de cerca de 1 milhão de pessoas, e tremores que vieram depois, tão fortes quanto o inicial, atingiram a cidade ao longo da noite e já na quarta-feira.

Segundo o US Geological Survey, a agência geológica americana, o terremoto ocorreu por volta das 16h53 (horário local, 19h53 de Brasília) de terça-feira.

Pelo menos dois tremores secundários - de 5,9 e 5,5 graus, respectivamente - foram registrados logo após o primeiro terremoto. Cerca de cinco horas após o tremor inicial, uma testemunha disse que esses tremores secundários eram sentidos a cada dez minutos.

Escombros

Veículos que tentam levar os feridos aos hospitais encontram dificuldades para se locomover em ruas tomadas pelos escombros.

Corpos, muitos cobertos com uma camada branca de pó, podiam ser vistos empilhados na traseira de um caminhão.

Segundo o relato de um funcionário da uma organização não governamental Food for the Poor, a cidade inteira de Porto Príncipe ficou às escuras na terça-feira ao anoitecer.

"Há milhares de pessoas sentadas nas ruas sem ter aonde ir. Há pessoas correndo, chorando, gritando", afirmou Rachmani Domersant.


Uma das principais ruas de Porto Príncipe, capital do
Haiti, teve diversos prédios destruídos / AFP

Presença do Brasil no Haiti

O Brasil está no comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada em 2004 para restabelecer a ordem política no país. O País comanda cerca de 7 mil soldados de 15 nacionalidades e tem 1.266 cidadãos brasileiros região.

De acordo com o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, alguns locais utilizados pelo Exército sofreram danos materiais causados pelo tremor, porém um balanço só poderá ser feito nesta quarta-feira.

Em nota, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu que os militares brasileiros no país façam tudo o que for possível para ajudar os haitianos . Segundo ele, o terremoto causou danos em instalações usadas para brasileiros, mas um balanço do prejuízo só será feito na quarta-feira.

Relatos de desespero

Testemunhas do tremor relataram cenas de caos , devastação e angústia. Carel Pedre, um apresentador de rádio e TV em Porto Príncipe, disse à BBC ter testemunhado uma grande destruição no trajeto de oito quilômetros que fez pela capital para encontrar sua filha.

"Eu vi muitas pessoas chorando por ajuda, muitos edifícios desmoronados, vários carros danificados, muitas pessoas sem ajuda, pessoas ensanguentadas", relatou.

"Não há eletricidade, todas as linhas telefônicas estão desligadas, então não tem muito jeito de as pessoas entrarem em contato com suas famílias e com os amigos", disse.

Henry Bahn, um funcionário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que estava no Haiti, disse que todas as pessoas na capital haitiana estavam "assustadas e emocionadas".

Ele relatou à agência de notícias Associated Press que estava retornando ao seu hotel quando o chão começou a balançar. "Podia ouvir uma tremenda quantidade de barulho e de gritos à distância", disse.

Ele disse ter visto uma cratera onde antes havia várias casas. "Está cheio de muros caídos, de escombros e de arame farpado", relatou.

Ajuda humanitária

Poucas horas após o terremoto de sete graus na escala richter que atingiu o Haiti, países ao redor do mundo anunciaram o envio de ajuda humanitária para amenizar a catástrofe.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou preocupação com a situação do povo do Haiti e dos brasileiros que estão naquele país. Lula deu instruções para que sejam avaliadas as necessidades para que o Brasil possa apoiar o esforço de ajuda humanitária ao Haiti.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou ao Departamento de Estado e ao Pentágono que preparem o envio de ajuda humanitária ao Haiti. "Estamos vigiando a situação de perto e estamos prontos para ajudar à população do Haiti", disse Obama em comunicado.

Pouco depois, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) anunciou o envio de um primeiro destacamento de ajuda humanitária, composto por 72 pessoas, seis equipes de rastreamento com cães e 48 toneladas de equipamentos de resgate.

O Haiti é o país mais pobre do Ocidente. Com 8,5 milhões de habitantes, o país tem 80% de sua população vivendo com menos de dois dólares por dia, ou seja, abaixo do nível da pobreza.

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