Presidente do Haiti pede calma em meio à crise e aos saques

O presidente do Haiti, René Préval, fez um apelo à calma, nesta quarta-feira, enquanto o país, o mais pobre do continente americano, continua mergulhado em uma onda de violência e de saques, após um brusco aumento de preços dos artigos de primeira necessidade.

AFP |

Reuters
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Moradores saem correndo após conflitos nas ruas de Porto Príncipe

Os boinas azuis da ONU, que protegem desde ontem o Palácio Nacional, sede da presidência, voltaram a usar bombas de gás lacrimogêneo em Porto Príncipe para dispersar os manifestantes, segundo relato de testemunhas.

Não há registro de vítimas dos incidentes dessa quarta, mas os protestos de ontem deixaram cerca de 15 feridos. Ao todo, desde o início da crise, foram cinco mortos e mais de 40 feridos.

"A solução da crise do alto custo de vida é mundial, e nós pagamos as conseqüências das más políticas aplicadas há 20 anos no Haiti", declarou Préval, em discurso transmitido pela TV nacional.

Préval pediu aos haitianos que não se entreguem aos saques e à destruição. "Isso não vai resolver os problemas do país", frisou, acrescentando que "ordenei à polícia haitiana e aos soldados da ONU que ponham fim aos saques".

Vários grupos de jovens tomaram posse de várias ruas da capital, armando barricadas com pneus e pedras, o que, praticamente, paralisou a cidade.

Muitas lojas foram saqueadas por manifestantes com pedaços de pau e, alguns, com armas de fogo, de acordo com testemunhas. A estação de rádio Visión 2000 foi alvo de pedradas, anunciaram os locutores ao vivo, pedindo ajuda da polícia.

Um dia depois de uma declaração do Conselho de Segurança da ONU, reafirmando seu apoio ao governo do Haiti, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, também se somou ao pedido de calma.

"O secretário-geral pede a calma e insta a todos os manifestantes que se abstenham de novos atos de violência", afirmou sua assessoria de imprensa, em nota.

Ki-moon "ressalta que a Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti, integrada em sua maioria por latino-americanos) e o sistema das Nações Unidas continuarão dando seu apoio às autoridades haitianas para manter a ordem pública e para fazer chegar ajuda de emergência ao povo haitiano", indica o comunicado.

Como vem ocorrendo há uma semana, também houve protestos no interior do país. Em Gonaïves (oeste) e Saint-Marc (norte), centenas de manifestantes foram às ruas, motivando o fechamento de escolas e lojas, segundo rádios haitianas.

Os preços dos produtos alimentícios subiram dramaticamente em uma semana, no Haiti, onde um saco de pouco mais de 50 kg de arroz, o alimento mais popular, pulou de 35 para 70 dólares, enquanto que o preço da gasolina subia pela terceira vez em menos de dois meses.

Em seu pronunciamento, o presidente haitiano disse que vai se reunir com importadores de produtos alimentícios para tentar reduzir os preços dos produtos básicos. Também pediu aos haitianos que consumam produtos nacionais, avaliando que isso pode contribuir para resolver a crise atual.

O Haiti, país com 8,5 milhões de habitantes, tem 80% de sua população vivendo com menos de dois dólares por dia, ou seja, abaixo do nível da pobreza.

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