Presidente do Haiti pede calma a manifestantes

Por Joseph Guyler Delva PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O presidente do Haiti, René Préval, pediu na quarta-feira aos manifestantes que se esfriem após vários dias de violentos protestos contra a inflação dos alimentos.

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'Aos que estão alimentando a violência, ordeno que parem, porque não vai resolver o problema', disse ele em cadeia de rádio e TV.

'Pozé' ('esfriem-se', em idioma creole), afirmou ele, na mensagem gravada no suntuoso Palácio Nacional, protegido por arames farpados, blindados e soldados estrangeiros.

Esse tão esperado pronunciamento, no qual Préval acenou com possíveis subsídios para o aumento da produção doméstica de arroz e outros produtos, ocorre um dia depois de os manifestantes paralisarem a capital e invadirem o palácio para exigir providências contra o custo de vida.

Pelo menos cinco pessoas morreram em uma semana de manifestações no Haiti, onde 80 por cento da população sobrevive com menos de dois dólares por dia.

O aumento do petróleo e dos combustíveis, a forte demanda por alimentos na Ásia, o uso de terras aráveis para a produção de biocombustíveis, o mau tempo e especulações no mercado futuro se somaram para provocar uma elevação mundial no preço dos alimentos, o que provoca protestos em diversos países pobres.

Na quarta-feira, pequenos grupos de manifestantes reconstruíram suas barricadas nas ruas de Porto Príncipe, destruídas durante a noite pela polícia, e continuaram queimando pneus. Há relatos de saques em alguns bairros, e a confusão torna muitas ruas intransitáveis.

'Vocês ainda não viram nada,' disse o manifestante Jeanti Mathieu, 22 anos, que ajudava a montar uma barricada com sucata de carros, blocos de concreto e entulho.

'Estamos esperando o governo nos dizer o que vai fazer. Do contrário, vocês podem esperar o pior', disse ele, pouco antes do discurso presidencial.

Mas Préval disse que o governo não tem condições de abrir mão de impostos sobre alimentos importados, uma das exigências dos manifestantes. Antes, o governo havia anunciado investimentos de milhões de dólares em agricultura e infra-estrutura para criar empregos e aumentar a produção de alimentos.

'Ao invés de subsidiar o preço dos produtos alimentícios vindos de fora, preferimos subsidiar a produção nacional', disse Préval. 'Proponho que o preço do fertilizante seja subsidiado em 50 por cento ou até mais.'

'Não é com violência e com decisões econômicas fáceis que vamos resolver o problema do custo de vida elevado. É apoiando a produção nacional', acrescentou.

Segundo ele, funcionários públicos com salários de cerca de 800 dólares por mês serão convidados a abrir mão de 10 cento de seus vencimentos, para liberar dinheiro para outros usos. Mas ele salientou que o Haiti não tem controle sobre os preços globais.

Os haitianos assistem a uma disparada nos preços do arroz, do milho, do feijão, do óleo e de outros itens. Em alguns casos, o valor dobrou em um semestre.

Na terça-feira, membros da força da ONU sob comando do Brasil usaram balas de borracha e gás lacrimogêneo para evitar uma invasão do palácio presidencial.

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