QUITO (Reuters) - O governo do Equador planeja reprimir as empresas de mídia que usaram de corrupção para obter concessões públicas de rádio e TV, disse o presidente do país, Rafael Correa, neste sábado. O anúncio pelo presidente, político de esquerda, vem em meio a temores de que investigações a emissoras de rádio e TV sejam usadas para punir os críticos do governo. O presidente tem acusado grupos de mídia de favorecer a oposição e grupos econômicos.

"Mesmo que os custos sejam altos, vamos corrigir toda essa corrupção em concessões de rádio e TV", afirmou Correa, durante o seu pronunciamento semanal pelos meios de comunicação.

"Estejam prontos, porque essa luta contra a corrupção vai ser chamada de um atentado contra a liberdade de expressão", declarou ele.

A Assembleia Nacional do Equador, dominada pelo partido do presidente, ordenou uma investigação sobre as frequências de rádio e TV no ano passado. Autoridades do governo têm dito que o Estado pode retirar concessões de empresas, caso corrupção seja comprovada.

Correa, que tem prometido adotar políticas de cunho socialista desde que se reelegeu em abril, afirmou que a investigação é dirigida às mídias que fazem da venda de frequências um negócio e que usam influência política para conseguirem as concessões dos canais.

Ele acrescentou que não vai ter adversários políticos como alvo ou violar a liberdade de imprensa.

Há temores, no entanto, que Correa siga os passos do seu aliado Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que nesta semana ameaçou fechar uma TV que faz oposição ao seu governo.

Os fiscais equatorianos estão investigando a Teleamazonas, um canal crítico ao governo atual, por divulgar acusações da oposição de que teria havido fraude nas eleições gerais de abril passado. A emissora pode ser multada ou suspensa temporariamente se for decidido que ela violou a legislação.

(Reportagem por Alonso Soto)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.