Presidente do Equador nega ter vínculos com guerrilha das Farc

Rafael Correa afirmou neste sábado que não tem relação alguma com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), após a divulgação de um vídeo apreendido da guerrilha em que um de seus chefes diz que ajudou a financiar a campanha eleitoral do presidente equatoriano.

AFP |

"Pessoalmente, eu nem sequer conheço alguém das Farc", declarou Correa, destacando que pedirá a uma comissão civil que investigue o assunto, ao apresentar seu relatório semanal de trabalhos na localidade de Chunchi (sul).

Ele considerou "bárbaras" as denúncias de Bogotá sobre seus supostos vínculos com as Farc.

Correa ressaltou que pedirá a uma comissão civil que investigue se sua campanha foi financiada pelo grupo rebelde, tal como afirmou o líder insurgente Jorge Briceño no vídeo apreendido pela Polícia em Bogotá, cuja autenticidade foi confirmada na sexta-feira pela Procuradoria da Colômbia.

"Que investiguem se o governo equatoriano, se (o movimento governista) Aliança País, se o candidato Rafael Correa alguma vez recebeu 20 centavos de qualquer grupo estrangeiro, não apenas das Farc", afirmou, indicando que "há toda uma armação para danificar a imagem do país e do governo".

Essa comissão, criada por Correa, está encarregada de esclaracer as causas do ataque militar colombiano contra um acampamento clandestino das Farc em território equatoriano no dia 1º de março de 2008, que deixou 25 mortos e provocou o rompimento das relações diplomáticas entre Quito e Bogotá.

O governo do Equador impôs o cumprimento de cinco condições para o restabelecimento das relações com a Colômbia, entre elas deixar de acusar o governo equatoriano de envolvimento com as Farc, cujo líder Raúl Reyes foi morto nesse bombardeio, denunciado pela OEA como uma violação da soberania nacional.

Além disso, um juiz equatoriano apresentou uma ordem de prisão contra o ex-ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, pelo suposto crime de assassinato por ter sido o responsável pela operação contra a guerrilha.

Correa disse que a divulgação do vídeo das Farc faz parte de uma "campanha da direita, não só na Colômbia como também em nível regional, para desestabilizar os governos progressistas".

Nesse sentido, afirmou que o golpe de Estado em Honduras "não é um caso isolado. Um governo de fato tão grosseiro não poderia se manter se não tivesse ajuda externa, e tem ajuda externa de poderosos grupos dos Estados Unidos e das oligarquias latino-americanas".

Após a divulgação do vídeo das Farc, que data de março de 2008, o procurador da Colômbia, Mario Iguarán, afirmou que Correa "está na mira dos organismos e dos tribunais internacionais".

SP/dm

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