O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que renunciará à Presidência do seu país se for comprovado que seu governo mantêm relações com as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC). A crise na região andina, que envolve os governos da Colômbia, Equador e Venezuela, recobrou forças nesta quinta-feira quando a Interpol emitiu um informe certificando que a polícia colombiana não teria alterado os documentos que, de acordo com o governo da Colômbia, vinculam Correa e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, à guerrilha.

"Se eu tenho a menor relação com as Farc como candidato ou como presidente, coloco à disposição do povo equatoriano e de toda América Latina meu cargo como presidente", afirmou Correa em seu programa semanal de rádio, transmitido a partir de Lima, onde ele participou da 5ª Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia.

A crise diplomática teve início no dia 1º de março, quando o Exército colombianorealizou uma incursão militar no Equador para eliminar um acampamento da guerrilha. Na operação, foi morto o que era considerado como o "chanceler" das Farc, Raúl Reyes. Desde então, o governo do Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.

"Não estamos falando de dois compadres que brigaram, estamos falando do primeiro bombardeio na história da América Latina com bombas inteligentes a um país irmão. Pela primeira vez na América Latina, um conflito se exporta aos demais países", disse Correa pouco depois, desta vez em entrevista coletiva.

"Aqui, houve um agressor e um agredido, e em vez de pedir perdão, continuou uma campanha midiática irresponsável que nos vinculou às Farc", acrescentou.

Correa disse que não dá importância às conclusões da Interpol.

O governo de Álvaro Uribe diz que nos documentos há registros de que as Farc teriam financiado parte da campanha eleitoral presidencial de 2006. Correa nega. "Jamais foi recebida contribuição ilegal", argumentou.

De acordo com Correa, Álvaro Uribe estaria utilizando os documentos encontrados no computador das Farc para desviar o foco de atenção sobre seu governo, que tem sido relacionado a grupos paramilitares.

Nova incursão militar
Neste fim de semana, a situação se complicou na fronteira entre Colômbia e Venezuela. De acordo com o governo venezuelano, neste sábado, cerca de 60 militares colombianos foram interceptados no estado de Apure e teriam sido "obrigados" a sair.

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela qualificou a incursão como um "ato de provocação". Em uma nota oficial divulgada neste sábado, a chancelaria "exige que o governo colombiano vele pelo fim imediato destas violações do direito internacional, da soberania e da integridade territorial da Venezuela", diz o comunicado.

Álvaro Uribe afirmou neste sábado que "pedirá desculpas" se for comprovado por seu governo o ingresso dos efetivos militares colombianos no país vizinho.

"Vamos pedir ao ministério de Defesa e aos altos comandos militares que olhem cuidadosamente", afirmou Uribe durante entrevista coletiva no Palácio de governo, em Bogotá.

Na quinta-feira, Chávez anunciou que as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia entraram em "profunda revisão", no mesmo dia em que foi anunciado o relatório da Interpol.

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