Presidente do Egito nomeia vice pela 1ª vez desde 1981

Desde que chegou ao poder, Mubarak nunca tinha escolhido um nome para o cargo; nomeação acontece em meio a protestos

iG São Paulo |

AP
Imagem de TV mostra Suleiman (esq) cumprimentando Mubarak ao tomar posse como vice-presidente
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, nomeou neste sábado o chefe dos serviços de inteligência do país, Omar Suleiman, como seu vice-presidente. Foi a primeira vez que o líder nomeou alguém para o cargo desde que chegou ao poder, em 1981.

Pouco depois, a TV estatal informou que o então ministro da Aviação, Ahmed Shafiq, passará a ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Os anúncios acontecem em meio aos protestos no país, que começaram na terça-feira (25). Milhares de manifestantes saem às ruas da capital, Cairo, e de outras cidades exigindo a renúncia de Mubarak.

O líder da oposição Mohamed ElBaradei disse que as mudanças não são suficientes. Em entrevista à Al Jazeera ele insistiu que Hosni Mubarak "deve renunciar ou o Egito vai entrar em colapso". Ganhador de um prêmio Nobel da Paz, o opositor retornou ao Egito na quinta-feira passada para somar-se aos protestos e viu como positivas as mudanças, mas insuficientes. 

Para analistas, a nomeção de um vice-presidente pode indicar que Mubarak começa a preparar sua sucessão. No Egito, especula-se que o presidente queira passar o cargo para o filho, Gamal, o que desagrada grande parte da população, contrária à sucessão hereditária.

Suleiman e Shafiq tomaram posse horas depois da renúncia do gabinete de governo de Hosni Mubarak, apresentada formalmente no início da tarde. Os ministros atenderam a um pedido do presidente, que com a mudança tenta frear a onda de manifestações sem precedentes que começou na terça-feira.

Toque de recolher

Neste sábado, o Exército do Egito anunciou a extensão do toque de recolher vigente no país. A partir de agora a medida vale para o período entre 16h e 8h no horário local (12h e 4h de Brasília), um aumento de três horas em relação ao toque de recolher anunciado na sexta-feira.

Apesar da mudança de gabinete e do novo toque de recolher, milhares de manifestantes desafiam a medida e continuam nas ruas do centro do Cairo, no quinto dia consecutivo de protestos. Manifestações também acontecem em cidades como Suez e Alexandria, onde centenas pedem a renúncia de Mubarak.

No Cairo, tanques e veículos blindados estão nas ruas, principalmente em locais como a praça Tahrir, epicentro dos protestos de sexta-feira, quando o presidente convocou o Exército para conter a população - algo que não acontecia no país desde 1985.

Autoridades do Ministério da Saúde do Egito afirmaram que os protestos realizados no país deixaram ao menos 38 mortos desde sexta-feira. Com isso, o total de vítimas fatais desde que as manifestações começaram passa para 45.

De acordo com as autoridades, que não quiseram ser identificadas, destas 38 novas mortes 12 foram registradas na capital, Cairo. Outras 12 aconteceram em Suez, oito em Alexandra, três em Port Said, duas em Mansura e uma em Gizé.

Também neste sábado, os serviços de telefonia celular, bloqueados desde a véspera, foram retomados. A internet, porém, continua bloqueada, e o governo nega a acusação de que tenha interrompido o acesso à rede para evitar que novos protestos fossem convocados.

Novo governo

A chefe da Anistia Internacional, Salil Shetty, disse que a decisão de Mubarak de mudar o governo é "quase uma piada" e não vai conseguir freat os protestos. "As pessoas querem mudanças fundamentais e constitucionais", afirmou.

O grupo opositor egípcio Irmandade Muçulmana também afirmou que a medida anunciada pelo líder é "apenas um passo". "Há um conjunto de reivindicações, como a dissolução do Parlamento e eleições livres", afirmou o porta-voz do grupo, Walid Shalabi.

"A destituição do gabinete é só um passo. Desejamos um governo que tenha interesse em lançar as liberdades públicas, que resolva o problema do desemprego e que não trabalhe em benefício de um só grupo", ressaltou.

Em discurso transmitido pela TV estatal, Mubarak, que está no poder desde 1981, disse que os protestos não estariam ocorrendo caso seu governo não tivesse introduzido liberdades civis e de imprensa no país. “Garanto que estou trabalhando pelo povo e proporcionando liberdade de expressão à medida que se respeita a lei”, disse. “Há uma linha tênue entre a liberdade e o caos”.

Com BBC, AP, AFP e EFE

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