Presidente do Curdistão defende presença fixa de tropas dos EUA no Iraque

Cairo, 17 set (EFE).- O presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, defendeu hoje a presença permanente de tropas americanas no Iraque em uma entrevista à emissora Al Jazira.

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Barzani também insinuou que o Curdistão iraquiano poderia declarar sua independência se não forem observados avanços em negociações com Bagdá sobre vários assuntos-chave, entre eles o futuro da cidade de Kirkuk, 250 quilômetros ao norte da capital iraquiana.

Segundo o presidente curdo, "interessa ao Iraque ter tropas americanas de forma permanente, pois a retirada delas poderia levar a uma guerra civil".

Além disso, Barzani expressou seu apoio ao pacto militar, ainda em negociação, que deve estabelecer as normas para a presença de militares norte-americanos no país árabe.

Durante a entrevista, Barzani admitiu a crescente tensão entre os Governos autônomo e central e expressou seu temor diante da possibilidade de que seja instaurada uma nova ditadura no Iraque.

"Apoiamos um Exército forte e bem equipado, mas ao mesmo tempo não queremos que ele seja uma ferramenta para oprimir a população, como costumava ser o anterior, liderado por Saddam Hussein", acrescentou Barzani.

A comunidade curda recebeu com temor a intenção do Governo do Iraque de reequipar suas tropas com aviões e armamento pesado e pediu garantias de que nem a região autônoma nem os países vizinhos serão atacados.

"O novo Exército iraquiano deve permanecer afastado da política e sob o controle do Parlamento", insistiu, após se lembrar das dezenas de milhares de curdos mortos durante a campanha de Anfal, entre 1987 e 1989.

Por outro lado, Barzani acusou o Governo de Nouri al-Maliki de violar o previsto na Constituição iraquiana, e citou principalmente o artigo 140, que prevê um plebiscito em Kirkuk para decidir o futuro da cidade.

Esta localidade, juntamente com outras áreas no norte, é reivindicada pelos curdos como parte de sua região autônoma, o que é rejeitado pelos árabes e turcomanos que vivem ali.

"Temos uma Constituição aprovada por mais de 80% dos iraquianos, por isto esta deve ser a única opção. Temos que respeitar o que foi decidido pelo povo", ressaltou.

Perguntado sobre a possibilidade de declarar a independência caso não haja avanços, Barzani destacou: "O Curdistão tem Parlamento e dirigentes próprios e teremos que cumprir com qualquer resolução que adotarem".

A região do Curdistão inclui as províncias de Erbil, Suleimaniya e Dohuk, no norte, e seus habitantes têm um alto grau de autonomia desde o fim da guerra do Golfo, em 1991. EFE nq/ev/fal

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