Presidente diz que Irã revelará 'grandes conquistas nucleares'

Em discurso para marcar 33 anos da Revolução Islâmica, Ahmadinejad prometeu anúncios nos próximos dias e diz que país 'não cederá'

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou neste sábado que "grandes" conquistas nucleares serão anunciadas nos próximos dias. Ele não deu mais detalhes, mas insistiu que o Irã nunca suspenderia seu programa de enriquecimento de urânio, apesar das pressões internacionais.

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AP
Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad faz pronunciamento perto da torre de Azadi para marcar os 33 anos da Revolução Islâmica

Ahmadinejad fez seu pronunciamento na praça Azadi, no coração de Teerã, em uma marcha por ocasião do aniversário de 33 anos da Revolução Islâmica, que mobilizou milhões de iranianos em rodo o país.

"Se Deus quiser, o mundo vai testemunhar a inauguração de grandes conquistas na esfera nuclear dentro de poucos dias", disse Ahmadinejad a uma multidão que gritava "morte a Israel" e "morte à América".

Ele também prometeu que o Irã nunca iria ceder para o Ocidente, se os países continuassem a usar a "linguagem da força e do insulto". Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que iria trabalhar com Israel para prevenir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.

Ele disse que o governo israelense estava, "com razão", muito preocupado com o programa nuclear iraniano, mas acrescentou que não acreditava que o país estava decidido a lançar um ataque militar.

Apesar da forte pressão internacional, Teerã insiste que seu programa é pacífico. O Irã vive sob severas sanções internacionais e ocidentais contra seu controvertido programa nuclear, depois do fracasso de várias tentativas de negociação com as grandes potências.

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O presidente disse que os poderes ocidentais usam a questão nuclear como um "pretexto" para "trabalhar contra o desenvolvimento da nação iraniana". "Eles dizem que querem converçar conosco. Nós sempre estivemos prontos para conversas."

As conversas entre o Irã e as seis potências mundiais - EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China - sobre o programa nuclear fracassaram há um ano e há poucos sinais de um retorno do diálogo, apesar dos recentes esforços da Turquia.

O Irã se recusa a fazer negociações quanto ao seu programa de enriquecimento de urânio, enquanto os países ocidentais dizem que não há motivo para conversas ao menos que isso esteja programado.

Segundo informações recentes de fontes, o Irã apresentaria um projeto que diria respeito à produção de barras de combustível para o reator de pesquisa nuclear de Teerã, para justificar sua produção de urânio enriquecido a 20%, centro das preocupações internacionais sobre seu programa nuclear.

Simbolicamente, as autoridades expuseram neste sábado, na praça Azadi, uma maquete de um avião não tripulado americano capturado por Teerã em dezembro passado quando sobrevoava o espaço aéreo iraniano para uma missão da CIA provavelmente dedicada à observação de sítios nucleares iranianos.

O presidente iraniano também voltou a atacar Israel em seu discurso comemorativo. Segundo ele, o Irã esmagou o ídolo do Holocausto criado pelo Ocidente e colonialistas para justificar a criação do Estado hebreu.

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"O Ocidente e os colonialistas, para dominar o mundo, criaram um ídolo ao qual chamaram de regime sionista. O espírito deste ídolo é o Holocausto (...) e a nação iraniana, com coragem e clarividência, esmagou o ídolo, preparando a libertação dos povos ocidentais", declarou Ahmadinejad, que em inúmeras ocasiões negou o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O Irã não reconhece Israel e geralmente pede a eliminação do Estado hebreu, classificado de "tumor cancerígeno" do Oriente Médio. Em um gesto excepcional, as autoridades iranianas convidaram o primeiro-ministro do movimento islamita palestino Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, atualmente em visita em Teerã, a pronunciar um discurso diante da multidão,

Segundo ele, o Hamas jamais reconhecerá Israel. "A luta dos palestinos se prolongará até a libertação de toda a terra da Palestina e de Jerusalém e a volta dos refugiados palestinos para casa", acrescentou Haniyeh em seu discurso, que também foi transmitido pela televisão iraniana.

Com AFP e AP

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