Jerusalém, 6 mai (EFE).- O presidente de El Salvador, Antonio Saca, disse que a histórica mudança de Governo em seu país é prova da reconciliação nacional e acredita que seu sucessor, Mauricio Funes, manterá o país longe da esquerda populista latino-americana.

"Vinte anos desgastam um partido, porque são 20 anos de dar ao povo muitas coisas boas, mas também de aplicar medidas duras, especialmente as econômicas", afirmou Saca em entrevista à Agência Efe em Jerusalém, onde hoje encerrou uma visita de quatro dias que incluiu alguns encontros oficiais.

Aos 44 anos e ex-jornalista, Saca concluirá sua gestão na primeira troca no poder em El Salvador desde a guerra civil (1980-1992), e em 1º de junho entregar o cargo a Funes.

O regime presidencialista salvadorenho não contempla a reeleição, mas Saca não hesita em assumir a responsabilidade que lhe corresponde pela interrupção de 20 anos de Governo.

"Ponham a culpa em mim", afirma, antes de frisar que o fracasso eleitoral da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), por uma diferença de "apenas 60 mil votos", se deveu à "tempestade perfeita", em alusão à situação de crise econômica no momento das eleições, que tem um forte impacto nos cidadãos.

A mudança do Governo de direita para esquerda é para Saca um exemplo da maturidade política em seu país, do compromisso com a democracia, apesar de considerar que seu sucessor ganhou o pleito porque não tinha passado guerrilheiro.

Consultado sobre se após 20 anos de Governo direitista El Salvador pode se integrar agora na esfera de países como Venezuela, Bolívia e Cuba, Saca frisou que o sucesso de Funes como presidente dependerá do "equilíbrio" que mantiver com a velha-guarda da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

E, embora confesse que teria gostado de passar a Presidência a Rodrigo Ávila, candidato da Arena nas eleições, assegura que "assume" a vontade popular e que está realizando a transição de forma "profissional", "honesta" e com "muita nobreza".

"Uma mensagem errada à comunidade internacional é que aqui vamos passar de um sistema de liberdades a um sistema como os mencionados (Venezuela, Bolívia e Cuba). Seria terrível para a nossa economia, que já está abalada pela crise mundial", concluiu. EFE elb/rr

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