Presidente derrubado renuncia e nomeia Governo de unidade na Mauritânia

Nuakchott, 27 jun (EFE).- O presidente mauritano deposto por um golpe de Estado em agosto do ano passado, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, apresentou sua renúncia e assinou o decreto para a nomeação de um Governo de unidade nacional, que ficará encarregado de organizar as eleições do próximo dia 18.

EFE |

O ato convocado para a apresentação da renúncia e a assinatura do decreto teve início na sexta-feira e se estendeu noite adentro no Palácio de Congressos, que fica em Nuakchott, capital do país.

Acompanharam a cerimônia o Conselho Constitucional, o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, encarregado da mediação para tirar o país da crise após o golpe, e representantes da União Africana (UA), Liga Árabe, União Europeia (UE), ONU e Organização Internacional da Francofonia (OIF).

"Sou o primeiro presidente mauritano que aceita renunciar voluntariamente em troca de garantias pelo interesse do país. Essa é a única maneira com a qual atualmente posso expressar a vocês minha gratidão", acrescentou o ex-chefe de Estado.

Um pouco antes de abrir mão do cargo, Abdallahi recebeu e aceitou a renúncia do Governo deposto pelos militares, apresentada pelo ex-primeiro-ministro Yahya Ould Ahmed el-Waghev.

E, além da nomeação de um Executivo de união nacional, foi decidido que o autodenominado Alto Conselho de Estado vai virar um Conselho Nacional de Defesa, que ficará subordinado ao Governo de transição.

Esse novo Executivo vai ser comandado por Mohammed Laghdaf, que após o golpe chegou a ser nomeado primeiro-ministro pelos militares.

No entanto, vários ministérios do novo Governo, como os de Interior, Defesa, Finanças e Comunicação, foram concedidos à oposição, composta pela Frente Nacional de Defesa da Democracia (FNDD) e pela União de Forças Democráticas (UFD).

A criação do Executivo e a renúncia de Abdallahi já estavam previstas no acordo de Dacar, assinado em Nuakchott no último dia 4, mas que não tinha entrado em vigor devido às divergências entre as partes. EFE mo/sc

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