Presidente deposto do Quirguistão admite possibilidade de renúncia

O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiev, obrigado a fugir da capital Bishkek na última semana por causa de uma sangrenta insurreição, admitiu nesta terça-feira a possibilidade de renunciar, sob a condição de obter garantias de segurança para ele e sua família.

iG São Paulo |

"Quais são as condições para que eu renuncie? Se for garantida minha segurança e a de minha família", afirmou em coletiva de imprensa em Jalalabad, sul do país.

Esta é a primeira vez que Bakiev menciona a possibilidade de renunciar desde o início dos enfrentamentos que na semana passada deixaram 83 vítimas fatais em Bishkek, a capital desta antiga república soviética da Ásia central.

Antes, o governo provisório do Quirguistão havia dado um ultimato ao presidente Bakiyev, com a ameaça de detenção.

Azimbek Beknazarov, ministro da Justiça no governo provisório, anunciou a suspensão da imunidade presidencial de Bakiev, a quem chamou de ex-presidente, e o intimou a se entregar, já que em caso contrário uma operação especial será executada para efetuar a prisão.

"Uma investigação criminal foi iniciada contra Bakiev e se ao fim das manifestações em Jalalabad ele não se entregar, os serviços especiais iniciarão uma operação para detê-lo", declarou o ex-procurador-geral.

O chefe de Estado destituído chegou a reunir 5.000 pessoas em seu reduto de Jalalabad e reafirmar que não ia renunciar.

O novo governo acusa Bakiev de autoritarismo, corrupção e de ter aumentado a miséria no país. "Vejam como o Quirguistão é respeitado por Estados Unidos, Rússia e China", declarou Bakiev. "Meu poder não vem de mim, e sim do povo", completou. "O governo provisório não é legítimo. Não reconheço nada do que diz", insistiu Bakiev.

O governo provisório informou que o ministro do Interior de Bakiev, Moldomussa Kongantiyev, está vivo mas ferido, depois que várias fontes chegarama a anunciar a morte do político.

Kongantiyev está hospitalizado em Bishkek e o estado de saúde não permite um interrogatório, de acordo com o governo provisório.

Na semana passada, Kongantiyev e o vice-premiê Akylbek Japarov foram agredidos por manifestantes na cidade de Talas, noroeste do país.


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