Presidente deposto de Honduras tenta retorno

Por Patrick Markey TEGUCIGALPA (Reuters) - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, tomou um vôo para casa neste domingo, mas o governo interino que desafiou as pressões internacionais contra o golpe de Estado da semana passada disse que não vai permitir o pouso do avião.

Reuters |

A autoridade da aviação de Honduras, país que foi suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA) por sua recusa em reconduzir Zelaya, disse que o avião do mandatário foi instruído a seguir para El Salvador.

Zelaya deixou Washington pouco depois em um vôo fretado acompanhado pelo presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D'Escoto, de acordo com o ministro das relações exteriores da Venezuela e com o canal de tevê Telesur, de Caracas, que mostrou imagens do presidente deposto subindo em um avião.

"Tenho certeza de que nas próximas horas vamos contar a vocês sobre nossa chegada neste avião a Tegucigalpa, capital de Honduras", disse Zelaya.

Zelaya, um esquerdista que devia deixar o cargo em 2010, foi expulso do governo por tropas armadas e mandado em um vôo para o exílio na Costa Rica uma semana atrás, em um golpe largamente condenado em todo o mundo.

Em Honduras, Enrique Ortez, ministro das relações exteriores do governo provisório instalado horas após o golpe, disse antes de Zelaya deixar Washington que qualquer avião que o traga a bordo não terá permissão de pouso.

O governo interino já declarou que Zelaya será preso se entrar em Honduras.

"Dei ordens para que não seja permitido que ele volte. Não podemos tolerar a displicência", disse Ortez a uma rádio local.

Em Tegucigalpa, milhares de apoiadores de Zelaya, alguns portando porretes, protestaram em apoio ao seu retorno. Tropas e policiais reforçaram a segurança no aeroporto e em sua circunvizinhança.

OEA PROTESTA

O plano de retorno de Zelaya se seguiu ao gesto mais contundente por parte de governos estrangeiros para isolar o governo provisório desde o golpe, que foi o primeiro na América Central desde o final da Guerra Fria e foi desencadeado por uma disputa em torno dos limites do mandato presidencial.

A OEA se reuniu nas primeiras horas deste domingo em Washington e tomou a rara medida de suspender Honduras depois que o governo interino ignorou um ultimato do grupo de 34 países para reconduzir Zelaya.

O secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, a presidente argentina Cristina Kirchner e o presidente paraguaio Fernando Lugo planejavam viajar para El Salvador para acompanhar a volta de Zelaya, disse o presidente do Equador Rafael Correa, que também pretendia integrar o grupo.

Honduras, país exportador de café e têxteis com uma população de 7 milhões de habitantes, é o terceiro país mais pobre do hemisfério, atrás de Haiti e Nicarágua.

A suspensão da OEA pode complicar o acesso de Honduras a créditos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Na semana passada, o BID disse que irá suspender os empréstimos por conta do golpe.

Zelaya, um homem de negócios que abraçou a esquerda após ser eleito em 2006, desagradou a elite do país, incluindo membros de seu próprio Partido Liberal, com o que críticos dizem ser uma tentativa ilegal de ampliar o mandato presidencial e estreitar os laços com o presidente venezuelano Hugo Chavez, inimigo dos EUA.

Vários países da OEA se posicionaram contra o retorno de Zelaya, e um líder religioso local alertou para a possível violência caso ele tentasse voltar para casa.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG