Presidente deposto afirma que voltará a Honduras nesta semana

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou, nesta segunda-feira, que pretende retornar ao seu país na quinta-feira, depois de ter sido forçado a se exilar por um golpe militar no último domingo. Em um discurso durante um encontro de líderes do SICA (Sistema para a Integração Centro-Americana), em Manágua, na Nicarágua, Zelaya anunciou que irá retornar ao seu país após fazer uma visita aos Estados Unidos.

BBC Brasil |

Ele ainda pediu que representantes da OEA e chefes de Estado o acompanhem na volta a Honduras para demonstrar seu apoio.

"Vou cumprir meu mandato de quatro anos, estejam vocês (a oposição hondurenha) de acordo ou não", afirmou Zelaya.

"Voltarei por vontade própria, com a proteção de Cristo e do povo. Voltarei ao meu país e pedirei que a OEA me acompanhe. Aceito ofertas daqueles que queiram me acompanhar, por convite do chefe de Estado, e não por interferência em assuntos (internos)", disse Zelaya, segundo o canal de TV Telesur.

Em seu discurso, Zelaya afirmou ainda ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria expressado seu apoio ao presidente deposto.

Na manhã desta segunda-feira, Lula já havia afirmado que o Brasil "não reconhece" o novo governo de Honduras e o Itamaraty suspendeu a volta do embaixador brasileiro ao país.

AP
Polícia dispersa manifestantes em Honduras

Polícia dispersa manifestantes em Honduras

Zelaya foi detido em Honduras no último domingo, data marcada para um plebiscito sobre a ideia de uma consulta sobre a possibilidade de uma reforma constitucional. Ele foi obrigado a deixar o país.

Depois do golpe, o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, assumiu o cargo interinamente.

"Terrível precedente"

Também nesta segunda-feira, presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o golpe de Estado em Honduras e disse que a deposição do presidente Manuel Zelaya é ilegal.

As declarações de Obama foram feitas em Washington após uma reunião com presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Segundo Obama, caso Zelaya não volte à Presidência de Honduras, o golpe estabeleceria um "terrível precedente".

O presidente americano afirmou ainda que trabalhará com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para restituir o presidente.

Protestos

Em mais um desdobramento da crise em Honduras, homens das Forças Armadas e da polícia utilizaram balas de borracha para dispersar, nesta segunda-feira, centenas de manifestantes que protestavam pela volta de Zelaya em frente ao palácio presidencial, na capital Tegucigalpa.

Em entrevista à BBC Mundo, Kellyn Sierra, da Cruz Vermelha, afirmou que foram atendidos cerca de 50 feridos por balas de borracha durante o protesto.

Sierra, no entanto, não pôde confirmar se houve mortes durante a repressão à manifestação.

Os simpatizantes de Zelaya carregavam paus e correntes e teriam feito barricadas em ruas próximas ao palácio.

Vitrines de lojas também teriam sido quebradas.

Segundo o enviado especial da BBC Mundo a Tegucigalpa, Arturo Wallace, a repressão à manifestação teria começado após a polícia ter dado início a uma operação para reforçar a segurança nos arredores do palácio.

Cerca de 2 mil pessoas estariam participando dos protestos.

Wallace ainda afirma que os hondurenhos têm poucas informações sobre os protestos em outras regiões. As poucas notícias circulam no boca a boca.

"Os meios de comunicação transmitem apenas a versão oficial e os canais de notícias internacionais, como a CNN e a Telesur, estão fora do ar", afirma Wallace.

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