Presidente de Taiwan tem encontro histórico com representante do governo chinês

O presidente taiwanês, Ma Ying-jeou, fez história nesta quinta-feira ao se reunir com um alto funcionário do governo da China responsável pelas relações com a ilha, onde manifestantes separatistas protestaram contra a presença do emissário de Pequim.

AFP |

O presidente e Chen Yunlin, diretor da Associação para as Relações entre as duas Margens do Estreito de Taiwan (ARATS), se reuniram rapidamente no centro de Taipé em meio a grandes medidas de segurança, no primeiro encontro do tipo desde o fim da guerra civil em 1949.

Esta foi a primeira reunião entre um líder de Taiwan democrático e um alto funcionário da China, que continua reclamando a soberania sobre a ilha, que considera uma província rebelde e da qual está disposta a recuperar pela força, caso seja necessário.

Em um ato exibido ao vivo pela televisão, Ma Ying recebeu Chen em uma residência do governo para hóspedes protegida por fuertes medidas de segurança.

Ambos evitaram se dirigir ao outro formalmente, o que evitou que Chen tivesse que escolher entre chamar Ma de "senhor" ou "presidente", uma questão politicamente delicada para as duas partes, que não reconhecem formalmente a outra.

Chen chegou na segunda-feira para uma visita de cinco dias e assinou acordos que significam uma aproximação econômica dos antigo inimigos e que, a longo prazo, podem levar bilhões de dólares a Taiwan.

Os dois lados fizeram esforços colossais para evitar os temas políticos, mas em Taiwan muitos temem que a política de aproximação com a China do atual presidente coloque em risco a autonomia da ilha.

Manifestantes enfrentaram a polícia e tentaram superar as barricadas. Pelo menos dois homens foram detidos na confusão.

Os organizadores do protesto afirmaram que 100.000 pessoas participaram da manifestação. A polícia de Taipé não divulgou uma estimativa, mas informou que mobilizou 3.000 oficiais para conter a massa.

Os manifestantes estavam furiosos porque a reunião do presidente com o representante chinês foi antecipada em várias horas, depois que partidários da independência de Taiwan enfrentaram a polícia diante do hotel em que foi realizado na noite de quarta-feira um jantar em homenagem a Chen Yunlin.

A confusão impediu a saída do chinês do local e o diretor da ARATS só deixou o local de madrugada. Pelo menos 16 pessoas ficaram feridas nos confrontos.

Os manifestantes, do Partido Democrático Progressista (DDP), acusam o presidente Ma Ying-jeou de se submeter a Pequim e acabar com a soberania nacional.

Pequim considera Taiwan um território próprio à espera da reunificação, apesar de uma independência de fato há quase 60 anos.

Mais tarde funcionários da ARATS anunciaram que uma entrevista coletiva prevista para o início da noite foi cancelada por um "problema de horários".

aw/fp

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