Presidente de Ruanda é reeleito com 93% dos votos

Paul Kagame consegue esmagadora vitória na segunda eleição realizada no país desde o genocídio de 1994

iG São Paulo |

AFP
Partidários de Kagame comemoram resultado parcial das eleições em Kigali, em Ruanda
O presidente de Ruanda, Paul Kagame, foi reeleito com 93% dos votos, anunciou nesta quarta-feira a Comissão Eleitoral Nacional (NEC). "O presidente Kagame recebeu 4.638.569 votos, 93,08% do total", anunciou o secretário-geral da NEC, Charles Munyaneza.

Esta foi a segunda eleição presidencial desde o genocídio de 1994, e 5 milhões de ruandeses estavam registrados para votar.

Na segunda-feita, eleitores formaram filas nos postos de votação antes do amanhecer e, segundo a comissão eleitoral, o comparecimento foi alto.

Kagame concorreu às eleições contra outros três candidatos, todos ligados à sua Frente Patriótica de Ruanda, dominada pelos pela etnia tutsi. Isso fez com que críticos chamassem o processo eleitoral de farsa.

Oposição real

Alguns opositores mais expressivos não puderam concorrer ao pleito e reclamaram de intimidação. Mas ao votar, Kagame afirmou que não viu nenhum problema com a forma como as eleições foram conduzidas

"O comparecimento foi alto", disse ele. "Quando vi como eles se expressaram, o povo de Ruanda, e tudo o que foi feito e dito pelo povo de Ruanda, me deu a impressão de que o processo foi bastante democrático."

Seus simpatizantes afirmam que ele fortaleceu a produção agrícola, reconstruiu as instituições do país, combateu a corrupção eficientemente e promoveu os direitos das mulheres. Frank Habineza, fundador do oposicionista Partido Verde, disse que a esperada vitória de Kagame teria mais credibilidade "se ele tivesse competido com a oposição real".

Ele afirmou que se seu partido tivesse concorrido, teria feito campanha pela democracia, justiça social e não violência - coisas que, segundo ele, estão em falta em Ruanda. "Não temos liberdade de imprensa, não temos liberdade de associação, não temos liberdade de expressão", afirmou.

Mas Habineza disse que seu partido não vai contestar o resultado, pois quer evitar violência. O vice-presidente do Partido Verde foi assassinado no mês passado. O governo nega qualquer envolvimento, mas a morte espalhou o medo entre outros partidos da oposição.

Com AFP e BBC

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