Em um discurso nesta terça-feira para marcar os 15 anos do genocídio de Ruanda, o presidente do país, Paul Kagame, acusou a ONU de ter culpa e de ter agido com covardia na época do acontecimento.


"Não somos como os que abandonaram aqueles que eles vieram proteger", disse ele para cerca de 20 mil pessoas reunidas na capital, Kigali.

"Eles os abandonaram para serem mortos. Não seriam eles culpados? Acho que foi também covardia. Eles se foram sem disparar um único tiro. Não somos covardes. A comunidade internacional é parte dessa história e está na base desse genocídio", afirmou.

Abril de 1994

O genocídio em Ruanda começou após o avião do presidente Juvenal Habyarimana ter sido derrubado em abril de 1994. Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, foram mortos por milícias da etnia hutu.

O genocídio terminou quando rebeldes tutsis, liderados por Kagame, assumiram controle do país. Cerca de dois milhões de hutus se refugiaram no vizinho Congo desde então.

AP
Presidente Paul Kagame participa de enterro simbólico pelas vítimas do genocídio

Presidente Paul Kagame participa de enterro simbólico pelas vítimas

O discurso do presidente foi feito no bairro de Nyanza, onde cerca de cinco mil pessoas foram massacradas após as tropas de paz belgas da ONU terem deixado o local pouco depois de dez de seus homens terem sido mortos, no dia 7 de abril daquele ano. Nyanza se transformou em um símbolo do fracasso da ONU durante o genocídio.

Presente

Correspondentes dizem que Ruanda é um país que ainda luta para superar o ocorrido e conciliar as populações das duas etnias.

Alguns dos responsáveis pela violência foram julgados em um tribunal especial na Tanzânia, mas a maioria dos principais suspeitos continua sem ser indiciada.

A ativista Mary Kavitesi Blewit, fundadora do Fundo de Sobreviventes do Genocídio de Ruanda, perdeu 50 de seus familiares no evento.

Ela diz que conhecia vários dos responsáveis hutus e que "não houve justiça e, portanto, não é possível perdoar".

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