Presidente de Madagascar renuncia ao cargo

O presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana, anunciou nesta terça-feira que está deixando o posto e entregando o poder aos militares, um dia depois de o palácio presidencial ter sido invadido por tropas do Exército. Em um pronunciamento pela TV, Ravalomanana disse que decidiu dissolver o governo e oferecer o poder ao que chamou de diretório militar - mas não está claro se os militares estariam dispostos a assumir a responsabilidade.

BBC Brasil |

O líder da oposição, Andry Rajoelina, já se declarou o novo presidente do país e passou a ocupar o gabinete presidencial na capital, Antananarivo. Ele disse que vai convocar eleições dentro de dois anos e prometeu uma nova constituição.

Fontes militares disseram que as Forças Armadas devem apoiar Rajoelina.

Madagascar, país que ocupa uma ilha na costa sudeste da África, vive há sete semanas uma onda de instabilidade política que já deixou mais de cem mortos.

Rajoelina falou para milhares de simpatizantes em um comício depois de assumir o gabinete da presidência.

Ravalomanana estava refugiado no palácio Iavaloha, a cerca de 15 km do centro da cidade, de onde ele havia dito que estava pronto para lutar até a morte.

Na segunda-feira, Rajoelina rejeitou a oferta de Ravalomanana de convocar um referendo para resolver a crise e pediu sua prisão.

Mais tarde, os militares invadiram a residência presidencial no centro da cidade e assumiram o controle do Banco Central.

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

Mais de cem pessoas foram mortas desde que a oposição tomou as ruas em janeiro, exigindo a renúncia de Ravalomanana.

No final de janeiro, Rajoelina - um ex-DJ de 34 anos de idade - rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antananarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona.

"Defendemos o povo de Madagascar", disse o general. "Se Ravalomanana pode resolver o problema, nós o apoiamos."
Correspondentes dizem que o líder da oposição se declara um defensor da democracia, apesar de trabalhar para substituir um governo democraticamente eleito por um que não foi escolhido pelo voto da população de Madagascar.

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