Presidente de Madagascar renuncia ao cargo

O presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana, entregou o poder aos militares um dia depois de o palácio presidencial ter sido invadido por tropas do Exército.

Redação com agências internacionais |

Em um pronunciamento pela TV, Ravalomanana disse que decidiu dissolver o governo e oferecer o poder ao que chamou de "diretório militar" - mas não está claro se os militares estariam dispostos a assumir a responsabilidade.

O líder da oposição, Andry Rajoelina, já se declarou o novo presidente do país e passou a ocupar o gabinete presidencial na capital, Antananarivo. Ele disse que vai convocar eleições dentro de dois anos e prometeu uma nova constituição. Fontes militares disseram que as Forças Armadas devem apoiar Rajoelina.

Na segunda-feira, cerca de cem soldados acompanhados por tanques invadiram um dos palácios do presidente. Ele não estava no local no momento.

Rajoelina, um ex-DJ de 34 anos, negou que a invasão do palácio faça parte de um golpe de Estado. Ele, no entanto, afirmou que o presidente Ravalomanana não tinha mais o direito ou o poder para comandar o país.

AFP
Soldados invadem palácio do presidente de Madagascar, Marc Ravalomana

"Isto não é um golpe militar. Mas a vida do país não para. Nós não podemos ter um vácuo de poder. Queremos estabelecer um governo de transição que vai organizar eleições livres e justas nos próximos 18 ou 24 meses. Eu tenho o mandato de mais de 60 partidos políticos para liderar esta transição", afirmou Rajoelina ao programa Newshour, da BBC.

Crise

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

Desde janeiro, a queda de braço entre o presidente e o líder da oposição, Andry Rajoelina, que era prefeito da capital, já deixou mais de cem mortos.

No final de janeiro, Rajoelina rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antanarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona.

No início da segunda-feira, o presidente havia proposto uma consulta popular para resolver o impasse, mas Rajoelina recusou a proposta, dizendo que "o povo está sedento por mudanças". "Por isso, não faremos um referendo, mas instalaremos um novo governo transitório", afirmou o oposicionista.

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