Presidente de Madagascar entrega poder após semanas de protestos

Por Richard Lough ANTANANARIVO (Reuters) - O presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana, entregou o poder aos militares do país nesta terça-feira depois de uma longa disputa pelo poder com a oposição na ilha no oceano Índico, disseram autoridades do governo.

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"Ele chegou a conclusão que é melhor para o país. Ele se comportou como um estadista", disse o porta-voz do presidente, Andry Ralijona.

Membros da oposição disseram que seu líder, Andry Rajoelina, cujos protestos aceleraram a queda do presidente, seria o responsável por uma autoridade transitória.

Mas assessores do presidente disseram que ele entregou o poder ao almirante da Marinha Hyppolite Ramaroson, o oficial de mais alta patente de Madagascar. O comando do Exército, no entanto, já manifestou-se favorável à liderança do país sob Rajoelina.

"O presidente entregou o poder aos militares", disse o porta-voz presidencial. "Neste caso, (quem assume o poder) é o mais velho e com cargo maior, e eu entendo que seja Hyppolite Ramaroson."

O porta-voz acrescentou que Ravalomanana havia deixado o palácio presidencial e estava em um local desconhecido.

A União Africana, que havia rejeitado qualquer mudança inconstitucional de poder, disse que os militares não deveriam entregar o poder ao líder oposicionista.

Líderes da oposição disseram que a autoridade transitória liderada por Rajoelina organizaria eleições em até dois anos e reescreveria a Constituição para criar uma "Quarta República".

Semanas de turbulência e protestos liderados por Rajoelina provocaram a morte de 135 pessoas em Madagascar, derrubando o turismo e assustando investidores estrangeiros dos setores de mineração e exploração de petróleo.

Rajoelina liderou manifestantes para dentro do palácio presidencial em Antananarivo na terça-feira, depois de ter declarado que oito ministros de Ravalomanana haviam renunciado devido à crise política.

Guardas presidenciais e centenas de manifestantes estavam protegendo Ravalomanana em outro palácio, que é sua residência, nos subúrbios de Antananarivo. Ele havia prometido lutar até a morte para manter-se no poder.

Na segunda-feira, o tradicionalmente neutro Exército de Madagascar manifestou seu apoio a Rajoelina e invadiu o palácio presidencial no centro de Antananarivo. Os militares também ocuparam o banco central do país.

Rajoelina, ex-DJ de 34 anos e prefeito deposto de Antananarivo, vinha exigindo a renúncia de Ravalomanana desde o começo de 2009 e agora quer sua prisão. Ele acusou o presidente de ser um ditador e de controlar Madagascar como se fosse uma empresa privada.

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