Presidente de Honduras ignora oposição generalizada e mantém consulta popular

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, prossegue decidido a não ouvir a oposição generalizada das instituições do país e de grande parte da população, e realizar neste domingo uma consulta popular que autorize uma reforma constitucional permitindo sua reeleição.

AFP |

As urnas e o material para a consulta, tachada de "ilegal" pela justiça, estão sendo distribuídos entre as 15.000 seções eleitorais de todo o país, confirmou o presidente.

Manuel Zelaya trava uma disputa política com o Congresso e com o Tribunal Supremo de Justiça pela realização de um referendo e disse que somente o povo tem a legitimidade de desautorizá-lo, ante de rumores de que as Forças Armadas estariam planejando um golpe de Estado. O Legislativo e o Judiciário do país consideram ilegal a realização da consulta popular e haviam pedido aos militares do país que desobedecessem as ordens do Executivo.

Em discurso transmitido em cadeia nacional pelas emissoras de rádios e TV, Zelaya apareceu acompanhado de lideranças que apoiam a realização do referendo deste domingo, entre elas representantes sindicais, camponeses, indígenas, estudantes.

O pleito deste 28 perguntará aos eleitores se concordam ou não com a realização de um referendo em novembro para convocar uma Assembleia Constituinte, que elabore uma nova Carta Magna para o país.

Zelaya diz que pretende promover uma democracia participativa, que substitua o atual modelo representativo. Já a oposição o acusa de procurar uma forma para permanecer no poder após o fim do seu mandato, no dia 27 de janeiro de 2010.

Os partidários de Zelaya também têm o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que denunciou "um golpe de Estado" em Honduras, acrescentando que não ficará de braços cruzados se tentarem derrubar o presidente hondurenho.

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