Presidente de Honduras é detido e expulso à Costa Rica

Militares agindo sob ordem da justiça prenderam na manhã deste domingo, e expulsaram em seguida para a Costa Rica, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que tinha convocado uma consulta popular considerada ilegal pela Suprema Corte deste país da América Central.

AFP |

Horas depois, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, foi designado pelo Parlamento para a presidência da República de Honduras.

"Reconhecemos Zelaya como o presidente constitucional eleito de Honduras. Para nós, não existe outro", reagiu um funcionário do governo dos Estados Unidos, que não quis ser identificado.

Mais cedo, o presidente americano, Barack Obama, se disse "profundamente preocupado" com a situação em Honduras, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, condenou ações que "ferem os princípios da Carta democrática interamericana".

O golpe de Estado foi condenado em todo o mundo, sobretudo pelos governos latino-americanos de esquerda dos quais Zelaya tinha se aproximado nos últimos anos, depois de ter sido eleito em 2006 com o rótulo de conservador. O Brasil, a União Europeia, a França e o Reino Unido condenaram a expulsão de Zelaya à Costa Rica.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que Zelaya seja restabelecido no cargo e que os direitos humanos sejam respeitados, informou sua assessoria neste domingo.

O Grupo do Rio, formado por Honduras e outros 22 países latino-americanos, expressou sua "condenação mais enérgica".

Em Tegucigalpa, centenas de manifestantes se reuniram diante do palácio presidencial, cercado por dezenas de soldados e tanques, para exigir o retorno de Zelaya.

As tranmissões dos canais de TV e rádio foram suspensas, o aeroporto internacional foi fechado, e a eletricidade e as comunicações foram cortadas na capital.

"Se os Estados Unidos não apoiam este golpe de Estado, os golpistas não conseguirão ficar no poder", declarou o presidente Zelaya ao desembarcar em San José, ainda vestindo o pijama no qual foi expulso de sua casa.

Ele afirmou em seguida que ainda se considera o presidente de Honduras e desmentiu categoricamente ter renunciado, como afirmara mais cedo o secretário do Congresso.

Oito de seus ministros também foram detidos pelas forças armadas, informou à AFP um funcionário do governo.

O embaixador de Cuba em Honduras, Juan Carlos Hernandez, afirmou ter sido brevemente detido e espancado por militares quanto tentava proteger a chanceler hondurenha, Patricia Rodas, com a ajuda de seus colegas de Venezuela e Nicarágua.

Foi em nome do respeito da Constituição que os militares irromperam na casa de Zelaya na manhã deste domingo.

"Os acontecimentos de hoje procedem de uma ordem da justiça emitida por um juiz competente", confirmou a Suprema Corte em comunicado.

A Corte considerou ilegal a consulta popular que o chefe de Estado, eleito por um mandato de quatro anos não renovável, queria organizar para emendar a Constituição e poder disputar um segundo mandato no dia 29 de novembro.

Os países membros da Aliança Boliviariana para as Américas (Alba), um bloco anti-liberal fundado por Venezuela e Cuba e ao qual aderiu Honduras, denunciaram um "golpe de Estado".

Uma cúpula da Alba foi convocada em emergência neste domingo em Managua, segundo o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que ameaçou "reagir, inclusive militarmente", se seu embaixador em Honduras fosse agredido.

af/yw

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