Londres, 10 out (EFE) - O presidente da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (Andi), Luis Carlos Villegas, disse hoje sentir saudades da liderança na América Latina que todo o mundo está pedindo ao Brasil. Em entrevista à Agência Efe em Londres, Villegas, que acompanha em viagem pela Europa e pelos Emirados Árabes Unidos os ministros de Exteriores e Comércio Exterior e Indústria e Turismo da Colômbia, destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem espaço e um país para exercer a liderança reivindicada pela região. Villegas criticou, no entanto, que o Governo brasileiro esteja navegando em águas mornas, sem um rumo claro no que diz respeito às suas relações com os Estados Unidos. O Brasil deve decidir qual é sua relação (com Washington), não só política, mas também econômica. Deve decidir se vai assinar um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os EUA e ser fornecedor desse país, disse Villegas.

O presidente da Andi lamentou igualmente a "fraqueza" do México, cujo Governo está quase inteiramente "voltado a resolver seus problemas internos", o que o impede de continuar desempenhando, como no passado, "um papel de apaziguamento no Caribe e na América Central".

Segundo Villegas, no atual contexto latino-americano, a nova Colômbia "também tem um papel a desempenhar na região".

Em relação às críticas de alguns países latino-americanos ao que consideram uma excessiva proximidade política com Washington, disse que a Europa também "compartilha uma visão de valores com os Estados Unidos".

Villegas se mostrou pessimista quanto à possibilidade real de integração latino-americana enquanto houver uma série de problemas "que não são abordados com franqueza".

Para a integração "é preciso um acordo fundamental não só em matéria econômica ou de investimentos, mas também quanto à democracia, e, atualmente, há visões do mundo muito distintas e inclusive opostas", disse Villegas em clara alusão à Venezuela e a outras nações da região que seguem sua esteira.

"É curioso e até anormal que haja atualmente maiores possibilidades de integração Norte-Sul, ou seja, com os Estados Unidos, do que com os próprios vizinhos", criticou. EFE jr/db

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