Presidente das Maldivas renuncia após protesto e revolta policial

Mohamed Nasheed deixa o cargo depois de manifestações motivadas por pedido de prisão de juiz que libertou opositor

iG São Paulo |

O presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, o primeiro líder eleito democraticamente no país, renunciou nesta terça-feira após semanas de protestos e revolta policial motivadas pela prisão de um juiz.

As manifestações começaram há três semanas, quando Nasheed pediu que militares prendessem Abdulla Mohamed, chefe da Corte Criminal, após o juiz ordenar a libertação de um crítico do governo por considerar que sua detenção tinha sido ilegal.

AP
O presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, anuncia sua renúncia na capital, Male

A medida deu início a uma série de confrontos nas ruas entre partidários e opositores do governo. Na terça-feira, policiais se uniram às manifestações em protesto a uma ordem dada por autoridades do governo para que a polícia deixasse de proteger os manifestantes.

Em resposta, soldados foram acionados e atiraram balas de borracha contra os policiais, que recusaram um pedido de Nasheed para abandonar o protesto e passaram a exigir sua renúncia. Com isso, cresceram os rumores de que o Exército pressionava o presidente para deixar o cargo, ameaçando com um golpe militar.

“Renuncio porque não quero governar com o uso da força”, disse Nasheed, em pronunciamento na televisão. “Renuncio porque acredito que, se o governo ficasse no poder, teríamos que enfrentar interferências estrangeiras.”

O líder entregou o poder para o vice-presidente, Mohamed Waheed Hassan Manik. Horas depois, o juiz Abdulla Mohamed foi solto.

Nasheed foi eleito presidente em outubro de 2008 nas primeiras eleições multipartidárias do país, colocando fim a três décadas do governo autocrático de Maumoon Abdul Gayoom.

As primeiras eleições parlamentares aconteceram um ano depois, e o Partido de Nasheed foi o mais votado, apesar de o opositor Dhivehi Rayyithunge Party (DRP) ter conquistado o maior número de cadeiras.

Espera-se que o vice-presidente comande um governo de unidade nacional até as eleições presidenciais do ano que vem.

Com Reuters e AP

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