Presidente da Somália demite governo e agrava crise no país

O presidente da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, anunciou neste domingo ter demitido todos os membros do governo, inclusive o primeiro-ministro Nur Hassan Hussein, que contestou imediatamente a decisão, em um contexto de divisão do poder frente a uma oposição islâmica que ganha cada vez mais força.

AFP |

"O governo de Nur Hassan Hussein foi incapaz de cumprir sua tarefa, e tenho a obrigação de salvar o país", alegou o presidente durante uma entrevista coletiva em Baidoa (oeste), onde fica a sede do Parlamento de transição. Yusuf destacou que pretende nomear um novo governo "nos próximos dias".

"O presidente falou em seu nome próprio, de forma contrária às regras e às leis. Ele não tem o direito de demitir o primeiro-ministro do governo federal de transição", reagiu imediatamente Nur Hassan Hussein em declaração à AFP.

De fato, segundo a carta do governo federal de transição, o presidente não pode demitir o primeiro-ministro sem o aval do Parlamento.

Yusuf se disse certo de que "a maioria dos parlamentares acatará esta decisão". Ele garantiu, porém, que respeitará a decisão do Parlamento.

Divergências constantes entre o presidente e o primeiro-ministro, no cargo desde novembro de 2007, vinham paralisando a atividade do poder há várias semanas.

Os dois homens divergiam principalmente sobre a atitude a ser tomada em relação à oposição islâmica.

O presidente Yusuf garantiu que o acordo de cessar-fogo, assinado no fim de outubro em Djibuti entre o governo somali e a oposição dominada pelos islâmicos moderados, continuará vigorando após a saída do primeiro-ministro.

"O processo de reconciliação nacional vai continuar sem o atual governo", afirmou.

Muitos observadores consideram que Nur Hassan Hussein desempenhou um papel fundamental nas negociações de paz, das quais, no entanto, foram excluídas as milícias radiciais.

"Conclamo o povo somali e a comunidade internacional a não entrar em pânico e a não pensar que há um vazio político. Meu governo seguirá buscando a paz", declarou Hussein.

O representante especial do secretário-geral da ONU para a Somália, Ahmedu Uld Abdallah, destacou neste domingo em Nairóbi que este novo conflito político será mencionado durante a reunião do Grupo de Contato Internacional (CGI) para a Somália, terça-feira em Nova York.

O CGI reúne representantes da ONU, da União Européia (UE), da União Africana (UA) e de países do leste da África, assim como vários países como Itália, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

A Somália está em guerra civil desde 1991. O país também enfrenta uma situação humanitária catastrófica.

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