Presidente da SIP diz que Governos intolerantes ameaçam imprensa na América

Fernando Puchol. Madri, 2 out (EFE).- O crescente número de Governos esquerdistas intolerantes é um dos principais problemas que enfrenta a imprensa livre na América, afirmou hoje o presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Earl Maucker.

EFE |

Um dia antes do início da 64ª Assembléia da entidade, realizada em Madri entre 3 e 7 de outubro, Maucker, diretor do jornal americano "Sun-Sentinel", disse à Agência Efe que no último ano estes Governos "empreenderam medidas enérgicas contra a imprensa aberta e livre, especialmente na Venezuela".

Junto com a Venezuela há outro grupo de países, entre os quais citou Equador e Paraguai, que "estão se afastando" dos princípios básicos da liberdade de informação e de expressão, que a SIP considera "a pedra angular da democracia".

O presidente da SIP fez alusão aos problemas que tiveram para realizar em Caracas em março a reunião semestral da organização e afirmou que "nos declararam persona non grata, pois o Governo pensava que íamos causar problemas".

O outro grande desafio da SIP, afirmou Maucker, é combater "a violência contra os jornalistas, especialmente em países como o México", onde um total de 41 profissionais de imprensa foram assassinados entre 2000 e 2008 no exercício de sua profissão.

A esta violência física se une o fato de "haver muito assédio aos jornalistas no continente, incluído nos Estados Unidos, onde se vê que de forma crescente há aspectos legais que minam o exercício da liberdade de expressão dos jornalistas".

Maucker afirmou que dois jornalistas foram presos este ano em seu país por se negarem a revelar suas fontes à Justiça.

O assédio continua sendo especialmente intenso em Cuba, onde 25 jornalistas continuam presos após a detenção dos dissidentes do Grupo dos 75 em 2003, que enfrentam penas de até 20 anos de prisão por expressarem sua oposição ao regime de Fidel.

Maucker afirmou que desde que o "Sun-Sentinel" abriu seu escritório em Havana há 6 anos viaja para a ilha "pelo menos uma vez por ano" e que este ano "foi o primeiro que disseram não" a ele.

"Primeiro me disseram que tinham perdido meu visto e depois que não o aprovariam enquanto fosse presidente desta organização, mas que seria bem-vindo quando terminasse minha Presidência, portanto espero voltar no final deste mês ou no mês que vem", declarou.

A SIP renova seu cargo presidencial a cada ano, um período que no caso de Maucker também serviu para ser testemunha de "que há coisas mudando para o bem, boas notícias em locais como a Colômbia, onde há muita menos violência que no passado, ou boas leis no México e no Panamá em favor da liberdade de imprensa".

O presidente da SIP afirmou que este ano no comando da organização o ajudou a constatar que existem "diferentes culturas jornalísticas" no continente e que a tradição está por trás da existência de leis sobre a proteção da honra, que podem levar um jornalista à prisão por falar mal de determinadas pessoas.

Neste sentido, expressou sua satisfação pela boa recepção entre os Governos latino-americanos da Declaração de Chapultepec, um decálogo de princípios que procura a mais ampla compreensão e interpretação do direito à liberdade de imprensa.

Estes assuntos concentrarão os cinco dias de trabalhos e debates de quinhentos dos representantes de meios de comunicação americanos e europeus que se reunião em um hotel de Madri, e que também analisarão os desafios da indústria da comunicação.

As mudanças tecnológicas atingiram as atividades dos jornalistas e "tornam o trabalho muito mais difícil", declarou Maucker, que se mostrou preocupado "pela contínua erosão da percepção que as pessoas têm sobre esta atividade".

"Os jornalistas não são tidos em boa consideração", declarou o presidente da SIP, que atribui isto "à proliferação de veículos de comunicação que não têm normas escritas e padrões de conduta ética".

Segundo Maucker, "foi criada a percepção de que os jornalistas só estão aí fora para surpreender ou envergonhar alguém, ou buscando o valor do entretenimento e não da notícia".

As mudanças tecnológicas dos últimos anos também fazem com que as "audiências sejam maiores do que nunca", acrescentou o diretor do "Sun-Sentinel", pois "os produtos da internet produzidos estão crescendo de forma dramática".

No entanto, afirmou Maucker, isto não está tendo uma correlação com o aumento da receita publicitária, pois a mesma continua vinculada "à atividade central" dos meios de comunicação, que são as versões impressas, que "cada vez têm menos leitores".

Maucker afirmou que o futuro é multimídia, o das empresas que disponham de um canal de TV e de um site com vídeos: "A imprensa tem que se reinventar se quiser ter êxito". EFE fpb/fal

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