Presidente da Samsung é acusado de evasão fiscal

A justiça da Coréia do Sul acusou o presidente do grupo Samsung, Lee Kun-hee, de evasão fiscal e abuso de confiança. O indiciamento foi anunciado depois da conclusão de três meses de investigações sobre corrupção no maior conglomerado do país.

BBC Brasil |

A empresa é acusada de esconder mais de U$4 bilhões (R$6,5 bi) em bens e de criar um esquema para transferir o controle do grupo ao filho de Kun-hee através de práticas contábeis ilícitas.

Além do presidente, a Justiça inidicou ainda outros nove executivos da empresa.

A promotoria afirmou que não irá prender Kun-hee, de 66 anos, já que sua detenção poderia "causar um enorme transtorno nos negócios da Samsung e ter repercussão negativa para o país em um momento crucial para sua economia".

No entanto, os promotores divulgaram um comunicado no qual afirmam que o conglomerado teria sérios problemas estruturais, incluindo a "transferência ilícita do controle gerencial".

"Nossa equipe de investigadores espera que o inquérito seja uma oportunidade para a Samsung resolver estes problemas e reaparecer como uma empresa global de primeira-classe sem rivais".

Inquérito
As investigações contra o grupo foram iniciadas depois do ex-advogado chefe da Samsung ter revelado que a corporação mantinha um fundo com cerca de US$ 200 milhões para subornar funcionários do governo, promotores e juízes. A Justiça liberou a empresa destas alegações.

Apesar de negar as acusações, o presidente Kun-hee assumiu responsabilidade pelos problemas da empresa e afirmou que pode considerar renunciar ao cargo.

Filho do fundador da Samsung, ele assumiu a chefia dos negócios em 1987 e a partir de então, a empresa se tornou líder mundial na produção de chips de memória.

Apesar de conhecida pela sua produção de equipamentos eletrônicos, a Samsung também é uma das maiores empresas do mundo na construção de navios.

O conglomerado emprega cerca de 754 mil funcionários e tem um lucro anual de mais de U$14 bilhões (R$ 23bi). Além disso, a empresa é responsável por aproximadamente 20% de toda a exportação da Coréia do Sul.

Por estas razões, o caso de corrupção na empresa foi acompanhado de perto no país, onde a Samsung é considerada uma das empresas mais poderosas e respeitadas, apesar da preocupação sobre o comportamento de seus líderes.

Em um comunicado, a empresa pediu desculpas pelos danos que o caso causou à reputação e prometeu reformular a sua prática no futuro.

"A Samsung considera esta investigação como um novo ponto de partida e está preparando planos de reformulações com base nos conselhos de vários setores de nossa sociedade", diz o texto do comunicado, divulgado após o anúncio das acusações contra o presidente.

A Samsung não é a primeira grande corporação do país a ser acusada de corrupção.

Em setembro de 2007 o presidente da Hyundai foi considerado culpado de apropriação indébita. Mas a Justiça suspendeu a sentença de três anos de prisão, alegando que iria prejudicar a economia da Coréia do Sul.

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