Chegou a hora de dar grandes passos. Com essas palavras, a presidente da reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague, a ministra dinamarquesa Connie Hedegaard, convocou nesta terça-feira os ministros e representantes dos 192 países que participam do encontro a encarar os próximos três dias.

O discurso de Hedegaard foi feito na abertura do segmento de alto nível da conferência, que conta com a participação dos ministros.

"Nos próximos dois dias, temos que tomar as decisões que vimos preparando nos últimos dois anos. Pequenos passos têm que ser seguidos por grandes passos."
Em seu discurso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, também fez um apelo por ação nos próximos dias.

Para ele, não há mais tempo para deliberar, porque "a natureza não negocia conosco".

'Fechem o acordo'
"Fechem o acordo", disse o sul-coreano, acrescentando que a "reta final" não é o momento de "fraquejar".

O príncipe Charles também foi convidado a falar à plenária, e tocou em um assunto que diz respeito diretamente ao Brasil: as florestas tropicais.

O herdeiro do trono britânico lembrou da importância das florestas não só para a manutenção da biodiversidade, mas para o equilíbrio do regime de chuvas e da absorção de carbono da atmosfera.

"A verdade simples é que sem uma solução para o desmatamento tropical, não há solução para a mudança climática", disse Charles.

As palavras do príncipe de Gales contrastam com os acontecimentos desta terça-feira em Copenhague.

Nas negociações do grupo de trabalho que estuda a criação de mecanismos de redução de emissões por desmatamento e degradação (redd), segundo observadores das reuniões houve um retrocesso.

"Estamos no ponto em que estávamos na quinta-feira passada", disse.

Documento base
Isso porque os negociadores não conseguiram chegar a um acordo sobre algumas questões fundamentais e isso acabou trazendo de volta disputas que já tinham sido solucionadas.

As delegações tampouco conseguiram fechar um acordo preliminar para ser discutido pelos ministros a partir desta quarta-feira. Isso significa que a presidente da conferência, Connie Hedegaard, deve elaborar um documento, baseado nas propostas já discutidas.

A partir deste documento base, que só deverá circular nesta quarta-feira, os ministros poderão começar a tentar desentravar os principais obstáculos:
Metas de redução para países desenvolvidos. Até o momento, não existe consenso sobre um número ou mesmo em que forma essas metas seriam apresentadas - como extensão do Protocolo de Kyoto para os seus signatários (países ricos com exceção dos Estados Unidos) ou em um novo tratado incluindo os americanos. Financiamento. A proposta mais próxima de ser aceita é de um fundo de US$ 10 bilhões por ano, para os próximos três anos. Mas não está claro de onde sairiam estes recursos e quem faria as contribuições. Redd. Como mencionado acima, faltam pontos fundamentais. Suspensão temporária
Na segunda-feira, as negociações foram temporariamente suspensas depois que representantes de países africanos se retiraram em protesto contra o que chamaram de "abandono das metas firmadas no acordo de Kyoto".

Esses países criticaram a organização da conferência por, supostamente, se concentrar apenas nas negociações para um novo acordo climático, em vez de trabalhar paralelamente em uma extensão do Protocolo de Kyoto.

Países emergentes insistem que países desenvolvidos que ratificaram o protocolo devem se comprometer com maiores cortes de emissões dos gases que causam o efeito estufa.

A conferência das Nações Unidas sobre o clima vai até sexta-feira na capital da Dinamarca.

Nos próximos dias, a cidade deve receber líderes de cerca de 120 países, entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano, Barack Obama.

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