Presidente da Polônia diz que não assina Tratado de Lisboa

O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, afirmou nesta terça-feira que não terá sentido para ele assinar o Tratado de Lisboa, que prevê reformas na União Européia (UE), mesmo que o Parlamento de seu país tenha ratificado o documento em abril. O documento foi rejeitado em referendo na República da Irlanda no mês passado e, para ser válido, tem que ser ratificado por todos os 27 países membros da UE.

BBC Brasil |

O Tratado de Lisboa foi criado para, supostamente, facilitar o processo decisório na UE depois da ampliação do bloco, criando um novo presidente e um coordenador de Assuntos Externos.

Kaczynski, um conservador que há muito se opõe ao tratado de reforma, fez sua declaração em entrevista ao jornal polonês, Dziennik.

O correspondente da BBC na capital polonesa, Varsóvia, Adam Easton, disse que os comentários de Kaczynski não causam surpresa já que ele se opõe a uma maior integração européia.

Segundo Easton, o presidente polonês prefere que o Tratado de Nice - que governa hoje a forma como a UE opera e dá à Polônia um peso desproporcional dentro do bloco - vigore por mais tempo.

Rejeição
Kaczynski parece ter se unido ao presidente da República Checa, Vaclav Klaus, ao se opor abertamente à ratificação do Tratado de Lisboa. O presidente da Alemanha, Horst Koehler, também resolveu adiar a ratificação, à espera de que o mais alto tribunal de seu país decida questões legais sobre a aprovação do tratado.

A situação deixa em situação delicada a França, que assume nesta terça-feira, em cerimônia no Arco do Triunfo, em Paris, a Presidência rotativa semestral do bloco.

A Eslovênia vinha ocupando o cargo até agora.

Sarkozy
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que "alguma coisa não está certa" com a UE. Ele advertiu que os seus cidadãos podem estar perdendo a fé na instituição.

"A Europa preocupa as pessoas e, pior do que isso, eu acho, é que pouco a pouco nossos cidadãos estão se perguntando se, no final das contas, o nível nacional não está melhor equipado para protegê-los do que o nível europeu", acrescentou, dizendo que este é "um passo para trás".

"A primeira prioridade é identificar o problema com os eleitores irlandeses", disse Sarkozy.

O presidente francês viaja para a capital irlandesa, Dublin, no próximo dia 11, para ter um contato com o eleitorado local.

Os líderes da UE devem se reunir em outubro para ouvir do primeiro-ministro irlandês uma sugestão de como avançar depois que seus eleitores votaram pelo "Não".

A França formulou planos ambiciosos para imigração, meio ambiente, agricultura e defesa para a pauta de sua Presidência.

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