Moscou, 7 abr (EFE).- Pouco depois de acertar com a oposição a recontagem de votos nas eleições parlamentares, o presidente moldávio, Vladimir Voronin, do Partido dos Comunistas da Moldávia, acusou-a de tentar dar um golpe de estado através dos violentos protestos de hoje, que deixaram 30 feridos e, segundo uma emissora de TV, uma morte.

Em rede nacional de televisão, Voronin chamou de "fascistas" os manifestantes, que entraram em confronto com a Polícia e depredaram parte da sede do Parlamento, quebrando janelas e queimando móveis, após tentarem atacar a residência presidencial.

O presidente afirmou que as autoridades "defenderão com dureza a soberania do Estado moldávio".

Os líderes dos três partidos opositores que rejeitam a vitória comunista nas eleições parlamentares de domingo iniciaram "um golpe anticonstitucional na república", manifestou Voronin.

Ele acrescentou que a oposição, ao rejeitar os resultados preliminares, cuja lisura foi confirmada pelos observadores internacionais, "empreendeu o caminho da usurpação do poder", segundo a agência oficial russa "RIA Novosti".

O presidente afirmou que "os instrumentos democráticos não servem a um golpe de Estado" e que "as autoridades defenderão o país e a escolha democrática por seu povo de seus representantes".

"A incapacidade de perder em uma competição democrática honesta, o desprezo pela lei, a vontade popular e os padrões e valores democráticos, levaram os líderes da oposição a cometerem um grave crime contra a Moldávia", afirmou Voronin.

Antes da acusação de golpe, a recontagem de votos foi confirmada por um porta-voz da Presidência.

Ele disse ainda que Governo e oposição se comprometeram a parar com a troca de acusações e a unir seus esforços para pôr fim à desordem em Chisinau -promessa quebrada pelo pronunciamento do presidente.

Yuri Baziliuk, médico plantonista do Hospital de Urgências, confirmou que mais de 30 pessoas ficaram feridas hoje na capital Chisinau, durante os confrontos entre a Polícia e manifestantes que quebraram janelas, tiraram móveis do prédio do Parlamento e os incendiaram.

Segundo uma emissora de TV local, uma jovem manifestante acabou morrendo asfixiada durante o incêndio.

Antes disso, eles haviam tentado invadir a residência do presidente, após jogarem pedras e garrafas em sua fachada, mas foram impedidos pela Polícia, que usou mangueiras de água para dispersá-los.

Os opositores pedem a unificação da Moldávia com a Romênia e acusam o governante Partido dos Comunistas da Moldávia de fraudar as eleições parlamentares de domingo, das quais saiu vitorioso.

Segundo os resultados oficiais, os comunistas tiveram 50% dos votos, com os quais mantêm o controle da câmara que, segundo a Constituição moldávia, elege o chefe do Estado.

Logo em seguida, começaram os protestos da oposição, reunindo 15 mil pessoas em diferentes locais do centro de Chisinau, onde se encontram os principais prédios estatais.

"Abaixo o comunismo", "Melhor estar morto que ser comunista", "Queremos estar na Europa" e "Somos romenos" foram algumas das frases gritadas pelos manifestantes nas ruas da capital moldávia.

Eles organizaram um grupo denominado "Eu sou anticomunista", que assumiu a coordenação das ações de protesto contra o Governo comunista da Moldávia, umas das repúblicas que fazia parte da União Soviética.

Com 4,1 milhões de habitantes, enquanto outros 600 mil ganham a vida em outros países, a Moldávia fez parte da Romênia até 1940, quando foi anexada pela União Soviética na Segunda Guerra Mundial e recuperou a independência após a queda da potência comunista em 1991.

Porém, o caos econômico e a extrema pobreza -a Moldávia é considerada pelo Banco Mundial o país mais pobre da Europa-, acabaram levando os comunistas novamente ao poder, em 2001, com a promessa de levar o país à União Europeia (UE).

A promessa, no entanto até agora não foi cumprida, enquanto a pobreza continua. EFE se/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.