Presidente da Mauritânia segue detido e golpistas falam em democracia

Nuakchott, 6 ago (EFE).- O presidente da Mauritânia, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed el-Waghef, continuam retidos pelos militares que deram hoje um golpe de Estado e que, em contatos com diplomatas, afirmaram que a intenção é redirecionar a democracia.

EFE |

Abdallahi e Waghef foram detidos depois que o presidente anunciou a destituição de Mohamed Ould Cheikh Mohamed Ahmed Ghazouani e Mohamed Abdel Aziz como respectivos chefes do Estado-Maior do Exército e da Guarda Presidencial.

Os militares rejeitaram o decreto e consideraram "nula e sem efeito jurídico" a mudança realizada por Abdallahi, na qual também foi destituído Ahmed Ould Bekrine como chefe do Estado-Maior da Gendarmaria Nacional e a Felix Negri como chefe da Guarda Nacional.

Os golpistas anunciaram a criação de um "Conselho de Estado" presidido pelo general Abdel Aziz e iniciaram contatos com embaixadores de países ocidentais, árabes e africanos, para explicar os motivos da tomada do poder, segundo fontes ligadas à cúpula militar.

O "Conselho de Estado" afirmou, nesses encontros, segundo as fontes, que tomou o passo para "redirecionar o processo democrático" no país.

Dezenas de parlamentares mauritanos pertencentes tanto à maioria presidencial quanto à oposição manifestaram hoje o apoio ao golpe de Estado e convocaram para quinta-feira uma manifestação a favor do ato no centro da capital.

Os manifestantes afirmaram ter lutado até o momento por vias democráticas contra a deterioração do processo democrático do país, mas consideraram que já tinha alcançado "a consagração do poder individual e o predomínio da mentalidade do engano".

As tensões políticas começaram há cerca de três meses, quando um grupo de 39 deputados, a maioria deles pertencentes ao Pacto Nacional para a Democracia e o Progresso (PNDD-ADIL), dirigido pelo próprio Waghef, apresentaram uma moção de censura contra o Governo.

E já nesta mesma segunda-feira aconteceu uma retirada em massa de parlamentares que pertenciam ao partido no poder, o PNDD-ADIL, que pediram às legendas nacionais para acompanhá-los para formar um novo movimento nacional "de reforma e de mudança".

A situação nas ruas, segundo testemunhas, é de normalidade, apesar da presença dos militares que ocuparam a sede da rádio e da televisão estatal e se desdobraram perante as principais dependências administrativas de Nuakchott.

Uma das primeiras medidas adotadas pela Junta Militar foi a de nomear Imam Cheikh Ould Ely como novo diretor da única televisão pública e Mohamedou Ould Bouke à frente da rádio nacional estatal.

Entre as conseqüências desse golpe de Estado pôde ser visto como o aeroporto permaneceu fechado desde esta manhã até as 14h (em Brasília), como confirmaram à Agência Efe fontes da aviação civil.

Embora não tenham sido declaradas medidas de exceção nem sido vistas cenas de violência nas ruas, muitos cidadãos expressaram de forma espontânea seu apoio aos golpistas.

No entanto, para evitar todo movimento de apoio ao presidente, os militares expulsaram ao meio-dia da sede central do partido presidencial aos militantes que tinham se concentrado nele e fecharam totalmente o prédio.

Apesar dessa medida, os partidos políticos mauritanos prosseguiram sua atividade e seus líderes se expressaram livremente na imprensa, tanto em favor quanto contra o golpe de Estado.

Por enquanto, reina a incerteza sobre o destino do Governo e do Parlamento em geral e sobre a do presidente e a do primeiro-ministro em particular, que continuam retidos no edifício da Guarda Presidencial.

A mulher do presidente e sua filha foram colocadas sob vigilância militar no palácio presidencial, de onde puderam confirmar por telefone à imprensa que Abdallahi fora detido e que hoje teve lugar "um golpe de Estado puro e duro".

A maioria dos membros que compõem a atual Junta Militar tinham participado do golpe de agosto de 2005 na Mauritânia contra o presidente Maaouya Ould Taya, que se encontrava no poder desde 1984.

A chegada de Abdallahi ao Executivo com sua vitória nas eleições de março de 2007 aconteceu precisamente em substituição a essa Junta Militar e constituiu um avanço para uma democracia sobre a qual instituições como a Comissão Européia (CE) afirmaram sua preocupação após esta nova tomada de poder. EFE mo/db

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