Presidente da Itália condena ação britânica que matou italiano na Nigéria

Napolitano exige explicação sobre motivo de Reino Unido não ter consultado seu governo sobre operação para resgatar reféns

iG São Paulo |

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, classificou nesta sexta-feira de “inexplicável” o fato de o governo do Reino Unido não ter informado as autoridades de seu país sobre uma missão para resgatar um britânico e um italiano mantidos reféns na Nigéria. Os dois homens, sequestrados em 12 de maio, morreram durante a operação de resgate realizada na quinta-feira por forças de segurança nigerianas com o apoio do Exército do Reino Unido.

“O comportamento do governo britânico, que não nos informou ou consultou sobre a operação, é inexplicável”, afirmou Napolitano, que exigiu uma explicação política e diplomática do Reino Unido.

Leia também: Reféns europeus morrem durante resgate na Nigéria

AP
Foto do britânico Chris McManus, um dos sequestrados mortos durante tentativa de resgate

O governo britânico defendeu suas ações dizendo que os dois países estavam em contato desde o sequestro de Chris McManus e Franco Lamolinara, engenheiros que trabalhavam em Binin Kebbi, noroeste da Nigéria.

“Contatamos os italianos ontem (quinta-feira), conforme a operação acontecia, mas a situação se desenvolveu muito rapidamente. Nossa prioridade era responder à situação em terra e fazer todo o possível para resgatar os reféns em segurança”, disse um porta-voz do governo britânico.

De acordo com o porta-voz, a Itália não fez nenhuma reclamação formal até agora e o Reino Unido não emitiu pedido de desculpas. Ele acrescentou que representantes dos dois países se reuniram cerca de 20 vezes para discutir o caso.

O resgate contou com apoio operacional da Special Boat Service, uma unidade de elite da Marinha britânica.

O governo italiano disse ter sido informado sobre a operação por um telefone de Cameron ao primeiro-ministro Mario Monti, na quinta-feira. "Cameron expressou a Monti suas profundas condolências pela vítima italiana, lamentando o dramático final da iniciativa militar, decidida pelas autoridades nigerianas e britânicas com a convicção que esta era a última oportunidade para salvar a vida dos reféns", afirmou um comunicado do governo da Itália.

"Nas últimas horas foi verificada uma aceleração imprevista e, perante o temor de um iminente perigo de vida para os sequestrados, a operação foi iniciada de modo autônomo pelas autoridades nigerianas com o apoio britânico, informando disso às autoridades italianas", acrescentou a nota.

As circunstâncias da morte dos reféns não está clara. O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, e o primeiro-ministro do Reino Unidos, David Cameron, disseram acreditar que os homens tenham sido mortos pelos sequestradores.

No entanto, uma autoridade do Serviço de Segurança da Nigéria, que não quis ser identificada, afirmou que o britânico e o italiano morreram durante uma troca de tiros entre os sequestradores e as forças de resgate. Uma repórter da BBC afirmou ter ouvido um intenso combate durante horas e visto os corpos de dois nigerianos.

Goodluck Jonathan disse que os italianos foram sequestrados por integrantes do grupo islamita Boko Haram e que os sequestradores foram detidos. Ele prometeu fazer “tudo o que estiver a seu alcance para proteger a vida dos estrangeiros no país”.

As duas vítimas eram funcionárias na B. Stabilini, empresa de construção italiana com sede na Nigéria que ajudava na construção de um prédio do Banco Central da Nigéria em Birnin Kebbi.

Com AP, BBC, AFP e Reuters

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