Presidente da Geórgia pede jogo duro do ocidente com a Rússia

TBILISI (Reuters) - O presidente da Geórgia Mikhail Saakashvili instou o ocidente nesta terça-feira a não restabelecer relações normais com a Rússia sem lhe pedir satisfações pela guerra de cinco dias com seu país em agosto. Ele fez o apelo em um artigo no jornal Wall Street Journal, a tempo de coincidir com um encontro da Otan em Bruxelas no qual ministros do Exterior da aliança militar vão cogitar a retomada de um diálogo de alto nível entre o organismo e a Rússia, suspenso depois da guerra.

Reuters |

O encontro deve encorajar mudanças na Geórgia e na Ucrânia e reconfirmar o comprometimento com sua futura adesão, mas lhes negar novamente um plano formal para tanto, refletindo as profundas divisões entre os 26 países-membros da Otan.

A União Européia concordou no mês passado em relançar as conversas com a Rússia em um pacto de parceria, também suspenso por causa da guerra.

Saakashvili repetiu o argumento da Geórgia de que reagia a uma agressão russa quando lançou um ataque militar contra a região separatista da Ossétia do Sul, e disse que Moscou ainda tem que cumprir os termos do cessar-fogo retornando às suas posições de antes da guerra.

Ele alertou sobre "os graves riscos de reatar as relações" sem responsabilizar a Rússia. "Se a resposta internacional não for firme, Moscou tomará outras atitudes para redesenhar o mapa da região pela intimidação ou pela força", escreveu Saakashvili.

Uma Rússia cooperativa na comunidade internacional contribuiria para a estabilidade da Geórgia, acrescentou ele.

Entretanto, "nesse ínterim, deveríamos ter certeza de não estarmos sacrificando democracias como a Geórgia, que tentam tornar esta parte crítica do mundo mais estável, segura e livre".

Alguns membros da Otan, em especial França e Alemanha, relutam em antagonizar ainda mais a gigante energética Rússia forçando a admissão de ex-repúblicas soviéticas como a Geórgia e a Ucrânia, independentemente da oposição acirrada de Moscou.

A admissão na Otan é a menina-dos-olhos da política externa de Saakashvili desde sua ascensão ao poder em 2003 na onda da "Revolução Rosa". Mas o ocidente continua preocupado com o comprometimento da Geórgia com a democracia.

Governos ocidentais condenaram a intervenção russa em seu vizinho no Cáucaso como "desproporcional", mas também criticaram a decisão de Saakashvili de atacar a capital da rebelde Ossétia do Sul depois de meses de acusações de provocações russas.

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