Presidente da Geórgia ordena cessar-fogo na Ossétia do Sul

Tbilisi, 7 ago(EFE).- O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, anunciou hoje que ordenou a suas tropas não responder com fogo aos separatistas na Ossétia do Sul, e propôs à Rússia ser a fiadora da ampla autonomia que a Geórgia oferece a essa região.

EFE |

"Como comandante supremo do país, ordenei às unidades da Polícia e ao batalhão de paz georgiano não responder ao fogo das formações armadas da Ossétia do Sul na zona do conflito", disse Saakashvili.

"Tomei esta decisão apesar dos mortos e feridos em decorrência dos incessantes ataques (da Ossétia do Sul), pois devemos pôr fim aos enfrentamentos armados e iniciar negociações sem demora", continuou.

Segundo dados não oficiais divulgados em Tbilisi pela agência "Pirveli", 27 militares georgianos teriam sido mortos nos tiroteios registrados hoje na Ossétia do Sul.

O líder georgiano pediu às autoridades de Tskhinvali, a capital separatista, que interrompam imediatamente o fogo e aceitem a proposta do Governo da Geórgia de entabular negociações diretas.

"Não ponham a toda prova a paciência do Estado georgiano, e encerrem a violência", pediu Saakashvili, ressaltando que a situação na zona do conflito é "muito complicada e alarmante", e que Tbilisi está "aberta a negociações em qualquer formato".

Saakashvili reiterou sua oferta de uma "autonomia ilimitada", e estendeu a mão à Rússia, acusada por Tbilisi de prestar socorro político, econômico e militar aos separatistas.

"Proponho que a Federação Russa seja a fiadora da autonomia da Ossétia do Sul em território da Geórgia", ressaltou o dirigente georgiano, cujas propostas anteriores de autonomia foram rechaçadas por Tskhinvali.

"A Geórgia sempre foi, e quer seguir sendo, aliada natural da Rússia, desde que se respeite sua soberania e integridade territorial", continuou.

Moscou e Tskhinvali insistem na necessidade de impulsionar as negociações no marco da Comissão Mista de Controle (CMC), à qual se subordinam as Forças Mistas de Paz (FMP) e da qual fazem parte Rússia, Geórgia, Ossétia do Sul e a república russa da Ossétia do Norte, à qual os separatistas desejam se unir.

A Chancelaria da Geórgia denunciou hoje que "o regime separatista e criminoso de Tskhinvali" ataca as aldeias e tropas georgianas para "provocar combates em grande escala e frustrar o diálogo direto".

O comunicado assinala que os separatistas "procuram manter-se no poder graças à ajuda militar da Rússia", que "é ilegal e supõe um novo ato de agressão contra a Geórgia".

Moscou, por sua parte, declarou que "a responsabilidade pelo agravamento da situação recai sobre a parte georgiana".

"Pedimos à Geórgia que detenha sua atividade militar irresponsável na Ossétia do Sul, onde a situação é muito perigosa e adquire contornos dramáticos", disse à agência russa o vice-ministro de Exteriores russo, Grigori Karasin. EFE mv/gs

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