Presidente da Geórgia justifica ataque à Ossétia do Sul

Tbilisi, 28 nov (EFE).- O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, reconheceu hoje que foram as tropas georgianas as que iniciaram as ações armadas na separatista Ossétia do Sul, mas classificou estas medidas de justificadas e apropriadas.

EFE |

"A pergunta não é por que foi a Geórgia a que começou as ações militares. Reconhecemos que começamos estas ações. Mas, tínhamos outra alternativa, quando estavam aniquilando nossos cidadãos?", disse perante a comissão parlamentar que investiga o conflito de agosto com a Rússia.

Ao bombardear os separatistas nas aldeias georgianas da Ossétia do Sul, a Geórgia tratou de reprimir essa intervenção e esteve combatendo "em seu próprio território", sem que nem um de seus soldados pusesse um pé em território alheio, ressaltou, em referência indireta à Rússia.

"Por isso perguntar se tínhamos direito a defender a nossos cidadãos não é válido", ressaltou em discurso, de quatro horas e meia, transmitido pela televisão.

"A pergunta deveria ser formulada da seguinte maneira: Não foi a Rússia, país que realizou uma incursão contra a Geórgia, que saiu do Tratado de Forças Armadas Convencionais na Europa, que expediu passaportes a nossos com cidadãos (os separatistas) e o que preparou sua agressão durante anos e rejeitou manter conversas de paz no marco da OSCE?", alfinetou.

Ele acrescentou que a Rússia é um "grande perigo que ameaça não só a Geórgia, mas o mundo inteiro".

Sobre o ataque à capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, o presidente georgiano insistiu em que a ação militar não se destinou a reconquistar a república nem outros territórios não controlados, mas a conter a entrada de tropas russas em seu território da Geórgia.

"Tomamos uma decisão difícil, para proteger nossa gente que estava morrendo", disse.

Segundo o presidente, "nenhum Estado democrático teria atuado de outra maneira".

Saakashvili ainda negou que tivesse recebido um "sinal verde" dos Estados Unidos como estopim da ofensiva na Ossétia do Sul.

Finalmente, ele reclamou por não ter conseguido se comunicar com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, nem com o primeiro-ministro, Vladimir Putin "apesar de todos os esforços", às vésperas do conflito, em 6 de agosto, nem durante os confrontos, nos dias 8, 9 e 10.

"Não responderam às ligações. Quando (o presidente francês e rotativo da União Européia, Nicolas) Sarkozy esteve em Tbilisi, também não lhe comunicaram com Medvedev em muito momento", protestou. EFE mv-egw/jp

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