Presidente da Geórgia assina plano sobre conflito e pede retirada da Rússia

Micha Viganski Tbilisi, 15 ago (EFE).- O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou hoje na presença da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, o plano da União Européia (UE) sobre o conflito bélico e exigiu a retirada das tropas ocupantes russas de seu país.

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"A assinatura desse acordo pelo presidente Saakashvili significa que deve se impor imediatamente o cessar-fogo e que as tropas regulares russas têm que abandonar o território georgiano", declarou Rice em coletiva de imprensa conjunta em Tbilisi.

Saakashvili disse que assinou o acordo "graças à mediação dos amigos americanos", porque a "Geórgia está no meio de uma ocupação e precisa de um cessar-fogo para ajudar os afetados e procurar a retirada dos ocupantes".

Rice disse que Saakashvili assinou o plano de seis pontos, elaborado pela Presidência francesa da União Européia, depois de esclarecer alguns aspectos sobre o pacto, que tinha sido discutido por ela, em Paris, com o autor do texto, o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A secretária de Estado ressaltou que a assinatura do documento pela Geórgia "é necessária para estabilizar a situação" no país depois que o Exército russo entrasse nesse território há uma semana para proteger das tropas georgianas a separatista região da Ossétia do Sul.

A chefe da diplomacia dos EUA assinalou que outro objetivo de sua visita é "expressar a solidariedade e respaldar a soberania e a integridade territorial da Geórgia e o Governo local" após o conflito com a Rússia.

"Precisamos de observadores e forças internacionais imparciais", disse Rice sobre a as separatistas Ossétia do Sul e Abkházia, onde a Rússia tinha desdobradas há uma década e meia forças de paz, acusadas por Tbilisi de proteger os independentistas.

Segundo Saakashvili, "a soberania da Geórgia sobre Abkházia e Ossétia do Sul é inapelável" e "não haverá compromisso sobre esses territórios".

O presidente ressaltou ainda que a Geórgia assina um plano de regra e "não um acordo de capitulação".

Para ele, a "agressão" da Rússia contra a Geórgia é fruto da falta de decisão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que em sua cúpula de Bucareste adiou, sob pressão de Moscou, o convite de georgianos e ucranianos ao plano de ação para a adesão ao bloco.

Rice disse ter esperança de que o presidente russo, Dmitri Medvedev, assine o plano, que já foi firmado por Saakashvili e, em nome da União Européia, por Sarkozy.

O Kremlin tinha declarado pouco antes que Medvedev assinaria este plano, na qualidade de mediador, depois que Saakashvili firmasse, como já fizeram ontem em Moscou os líderes separatistas sul-osseta, Eduard Kokoiti, e da Abkházia, Serguei Bagapsh.

O plano de regra, pactuado por Sarkozy na terça-feira passada com Medvedev e Saakashvili, inclui o cessar-fogo, a renúncia ao uso da força e o livre acesso de ajuda humanitária, assim como o retorno das Forças Armadas da Geórgia a seu lugar habitual.

Além disso, as tropas russas serão retiradas até a linha que existia antes de o conflito eclodir, embora poderão tomar medidas de segurança adicionais até a criação dos correspondentes mecanismos internacionais.

Por último, será iniciado um debate internacional para decidir os mecanismos para garantir a segurança de ambas as regiões separatistas georgianas.

Este último ponto gerou distintas interpretações, pois a Geórgia viu nele a promessa de uma força de paz internacional, enquanto Moscou considerou que assim se reconhece a necessidade de buscar um novo status para as regiões separatistas, cujo direito à independência defende após o polêmico precedente do Kosovo.

"O plano não prevê um novo status político da Abkházia e da Ossétia do Sul, pois seu contexto é baseado nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU que reconhecem a integridade territorial da Geórgia", que formalmente também é aceito pela Rússia, disse Rice.

Segundo ela, "já começou um amplo debate internacional a fim de elaborar as medidas para iniciar a operação de paz".

O presidente americano, George W. Bush, acusou hoje a Rússia de "assédio e intimidação" contra a Geórgia e afirmou que o conflito prejudicou as relações entre Moscou e seus parceiros ocidentais.

"A Rússia é a única que pode decidir se voltará a seguir pelo caminho das nações responsáveis ou se decide fazer uma política que promete só confronto e isolamento", apontou Bush, que pediu à Rússia que "respeite a liberdade de seus vizinhos". EFE mb/rr

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