QUITO (Reuters) - O novo presidente da Assembléia Constituinte do Equador, um aliado do governo, tomou posse na quarta-feira com o compromisso de entregar em tempo uma Constituição capaz de promover uma mudança radical nesse instável país andino. O presidente equatoriano, Rafael Correa, busca, por meio da nomeação de Fernando Cordero (um homem considerado por seus companheiros mais pragmático e menos tolerante), assegurar a aprovação da Carta Magna até o final de julho e evitar que o fato de a Assembléia estar perdendo popularidade prejudique o projeto constitucional.

'A qualidade dos debates deve melhorar e vamos ter a melhor Constituição possível. Estamos comprometidos com mudar o país dentro do prazo estipulado', afirmou Cordero, em seu discurso de posse. Segundo o agora dirigente do órgão, o objetivo da nova Constituição é mudar 'radical e profundamente' o país.

A renúncia do antigo titular do cargo, Alberto Acosta, chamou atenção para as desavenças existentes dentro do bloco governista em torno dos prazos e das formas de debate que devem ser observados pela Assembléia. Acosta era considerado menos ligado ao Poder Executivo e mais tolerante com a oposição.

'Espero que isso que parecia ser uma crise converta-se em uma força para que não traiamos o povo equatoriano', acrescentou Cordero.

O afastamento de Acosta fez subir as ações de empresas mineradoras com negócios no país sul-americano já que este, um ex-ministro da Energia, era considerado mais radical do que o governo em suas propostas para defender o meio ambiente em detrimento da exploração dos recursos naturais.

Correa insistiu que não haverá uma nova prorrogação das atividades, o que significa dizer que a Assembléia possui cinco semanas para aprovar os cerca de 300 artigos previstos para o texto constitucional. No entanto, depois de sete semanas de trabalho, foram ratificados cerca de apenas 90 artigos.

A oposição, minoritária, questionou o procedimento usado pelos governistas para escolher Cordero, a quem acusam de servir aos interesses do presidente equatoriano, um político esquerdista.

A nova Carta Magna, após ser aprovada pelos 130 membros da Assembléia Constituinte, será submetida a um referendo marcado para ocorrer em setembro. Depois, então, substituiria a Constituição de 1998.

Apesar de o projeto constitucional e de a Assembléia terem perdido respaldo nos últimos meses, pesquisas indicam altos índices de popularidade para Correa, um elemento que poderia ser decisivo para o triunfo da nova Carta nas urnas.

Entre as propostas constitucionais defendidas por Correa contam-se limitar as operações de contração de dívidas públicas, eliminar a autonomia do Banco Central, permitir a reeleição do presidente e aumentar o controle do Estado sobre setores estratégicos da economia.

(Por Alexandra Valencia)

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