Presidente da Colômbia não chega a acordo com índios

BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e as comunidades indígenas do sudeste do país concluíram no domingo uma reunião sem terem chegado a um acordo que permita colocar um fim nos protestos dos índios. O diálogo, no entanto, deve prosseguir. O encontro de mais de seis horas ocorreu na zona rural do município de Piendamó, no Departamento de Cauca, local aonde o presidente chegou sob um forte esquema de segurança e acompanhado de vários de seus assessores para escutar as exigências dos índios.

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As comunidades indígenas da área -- que recentemente entraram em choque com a política e bloquearam uma importante estrada -- querem a realização de uma reforma agrária, o título de suas terras e o respeito a seus territórios e a seus costumes.

Na manifestação, foram mortos três índios. Vários policiais ficaram feridos, entre os quais um que perdeu as duas mãos quando um artefato plantado pelos índios explodiu.

As comunidades indígenas acusam a polícia de disparar e de provocar a morte dos manifestantes. O governo, no entanto, diz que as vítimas perderam a vida como consequência da explosão de armas artesanais semelhantes às usadas por grupos guerrilheiros.

As autoridades afirmaram que havia, entre os manifestantes, membros da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), algo negado pelas entidades que organizaram os protestos.

O governo já aceitou que a realização de qualquer obra de construção civil nos territórios indígenas só se iniciará depois de uma consulta com as comunidades.

Uribe, no entanto, rechaçou a possibilidade de retirar as forças de segurança dessas terras, afirmando que "na Colômbia não pode haver territórios fechados às Forças Armadas".

Não obstante a falta de acordos concretos, os dois lados acertaram a instalação de mesas de diálogo para tratar de temas pontuais e para buscar soluções.

A Colômbia, país com cerca de 44 milhões de habitantes, é lar de 85 etnias indígenas, somando cerca de 1 milhão de índios. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), esses povos correm o risco de sumir como consequência das décadas de conflito que atinge o país e que já fez milhares de vítimas.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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