Presidente da China visita região de terremoto; mortos passam de 1.700

Pequim, 18 abr (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, chegou hoje à região atingida pelo poderoso terremoto de quarta-feira passada, que deixou pelo menos 1.

EFE |

706 mortos, mais de 12 mil feridos e 256 desaparecidos.

Hu aterrissou no aeroporto de Batang, na província de Qinghai, que é povoada principalmente por tibetanos. Depois, foi diretamente para o povoado de Zhaxi Datong, no município de Chiegu, onde inspecionou a situação e falou com vítimas.

Chiegu, a cerca de 4 mil metros de altitude, foi a cidade mais prejudicada pelo terremoto, já que 85% de suas casas, em sua maioria construídas com madeira, foram destruídas.

Depois, Hu visitou os feridos que recebem tratamento médico no estádio da Prefeitura de Yushu.

Hu chegou ontem è tarde a Pequim após, no Brasil, suspender as visitas que faria a Venezuela e Chile.

O presidente da China decidiu cancelar na quinta-feira passada sua viagem latino-americana em Brasília, onde participou de uma reunião com os líderes de Brasil, Rússia e Índia após a cúpula nuclear de Washington.

Segundo um porta-voz do quartel de serviços de resgate, há 12.128 feridos, dos quais 1.424 estão em estado grave.

O Ministério de Assuntos Civis informou que a maioria dos sobreviventes já está instalada em tendas de campanha e recebeu alimento, água potável e outros produtos de necessidade básica.

"Um total de 25 mil tendas de campanha, 52 mil cobertores, 16 mil casacos e 850 toneladas de comida preparada e água potável já chegaram à zona de terremoto", disse o diretor do Departamento de Operações de Resgate do Ministério, Zou Ming, em entrevista coletiva em Pequim.

Desde a quarta-feira passada, muitas pessoas foram obrigadas a dormir ao relento em temperaturas perto de zero grau, já que a ajuda humanitária demora muito a chegar devido ao péssimo estado das estradas.

A última informação da agência oficial de notícias "Xinhua" indica que nesses cinco dias as equipes de resgate salvaram 17 mil pessoas dos escombros.

Apesar das condições meteorológicas ruins e de a esperança de encontrar sobreviventes ser cada vez menor, as equipes de salvamento trabalham sem descanso e hoje encontraram um homem de 68 anos de idade que estava há 100 horas nas ruínas de um prédio.

"O idoso foi resgatado às 11h (meia-noite, Brasília) na cidade de Chiegu e sua condição parece estável", afirmou um dos trabalhadores.

Nessa região, 90% das pessoas são tibetanas e, por isso, os serviços médicos tiveram grandes dificuldades para se comunicar com os pacientes.

Vários estudantes tibetanos se ofereceram como voluntários para trabalhar como intérpretes dos médicos e ajudar os feridos.

Ontem, centenas de mortos foram incinerados para evitar possíveis surtos de doenças. Os monges budistas rezaram pelas vítimas.

Durante todos esses dias foi possível ver várias imagens dos religiosos, vestidos com as tradicionais túnicas grenás, tentando tirar com suas próprias mãos as pessoas dos escombros.

A província de Qinghai é conhecida, entre outras coisas, por ser a terra natal do dalai lama, por ser nascente de três dos principais rios da Ásia (Yang Tsé, Amarelo e Mekong) e por, para os tibetanos no exílio, fazer parte do "Grande Tibete" que reivindicam.

O oeste do gigante asiático, com grandes cadeias montanhosas como o Himalaia, é uma zona de frequentes terremotos, embora muitos deles aconteçam em áreas pouco povoadas ou desabitadas. EFE mmp/rr

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