Presidente da China chega a Havana para reforçar relações bilaterais

(acrescenta com declaração de Hu). Antonio Martínez. Havana, 17 nov (EFE).- O presidente da China, Hu Jintao, chegou hoje a Havana para uma visita de 36 horas que incluirá uma reunião amanhã com seu colega cubano, Raúl Castro, e a assinatura de acordos que ampliarão e aprofundarão a cooperação bilateral, segundo fontes oficiais.

EFE |

Hu chegou ao aeroporto José Martí procedente da Costa Rica e acompanhado por uma grande comitiva de funcionários, empresários e jornalistas, e foi recebido pelo primeiro vice-presidente cubano, José Ramón Machado Ventura, e vários ministros.

Em nota distribuída à imprensa, Hu diz que a visita "tem como propósito aumentar a amizade, ampliar a cooperação e trabalhar em parceria com os companheiros cubanos para criar conjuntamente um futuro promissor".

A China é o segundo maior parceiro comercial da ilha, atrás apenas da Venezuela, segundo fontes oficiais que lembraram que em 2007 a troca entre os dois países cresceu 27%, para US$ 2,6 bilhões.

Os dois presidentes vão se reunir amanhã à tarde no Palácio da Revolução, e depois liderarão a cerimônia de assinatura de acordos.

Antes da chegada de Hu, funcionários dos dois países assinaram hoje uma primeira rodada de convênios, ao término da 21ª sessão de trabalho da Comissão Intergovernamental.

Os acordos incluem investimentos em Cuba, exportação à China de açúcar e níquel, colaboração em biotecnologia, reabilitação de portos e da rede sismológica da ilha, e reconstrução de casas, iniciativas relacionadas com os destroços causados pelos três furacões que castigaram o país nos últimos três meses.

O diário "Granma", porta-voz do Partido Comunista cubano, disse que a visita de Hu mostra "os excelentes vínculos existentes entre os dois partidos e Governos", e dedicou uma de suas oito páginas a uma reportagem intitulada "a China continua demonstrando a validade do socialismo".

No entanto, diplomatas de outros países vêem grandes diferenças entre a potência comunista asiática, que tem uma economia aberta, e uma Cuba em crise crônica, na qual as tímidas reformas anunciadas por Raúl Castro parecem estagnadas.

Hu chega a Cuba após assistir no sábado em Washington à Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) e depois de uma visita de 24 horas à Costa Rica, primeiro país centro-americano a estabelecer relações diplomáticas com Pequim e a suspender seus contatos com Taiwan.

Cuba, único país da América com Governo comunista, foi também o primeiro do continente a estabelecer relações com a China em 1960, um ano após Fidel Castro chegar ao poder.

Fontes diplomáticas não descartam uma reunião de Hu com o ex-governante de 82 anos, que visitou a China em duas oportunidades.

O líder cubano cedeu a Presidência em fevereiro passado a seu irmão Raúl, de 77 anos, e não aparece em público desde que adoeceu, em julho de 2006, mas ocasionalmente são divulgadas fotos e imagens suas, sobretudo durante visitas de líderes estrangeiros.

Fidel Castro, que ainda ocupa o cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista cubano (Raúl é o segundo), se reuniu no dia 24 de junho com o secretário de Controle Disciplinar do Comitê Central do Partido Comunista chinês, He Guoquian, que visitou recentemente Havana.

A visita de Hu, de 65 anos, acontece no momento em que Cuba enfrenta uma difícil situação econômica, em parte porque os furacões causaram danos avaliados por Raúl Castro de quase US$ 10 bilhões.

A ilha sofre ainda os efeitos da crise financeira mundial, que reduziu o preço do níquel, o turismo e as remessas dos emigrantes, três de suas principais fontes de divisas.

O país também sofre com a alta dos preços internacionais dos alimentos, já que importa mais de 80% do que é consumido por seus 11,2 milhões de habitantes.

A visita de Hu terminará no começo da quarta-feira, quando partirá a Lima para participar, no próximo fim de semana, do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

Esta é sua segunda viagem pela América Latina, depois da realizada em 2004 por Brasil, Chile, Argentina e Cuba. EFE am/mh

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