Presidente da Belarus acha que atentado em Minsk pretendia gerar pânico

Moscou, 5 jul (EFE).- O presidente da Belarus, Aleksandr Lukashenko, disse hoje que o atentado a bomba que deixou mais de 50 pessoas feridas na noite de quinta-feira em Minsk tentava espalhar o pânico na capital, e não estava dirigido contra ele.

EFE |

"Não acho que eram por minha causa, ainda que para eles fosse um êxito atingir o presidente", disse Lukashenko, ao lembrar que ele estava longe do local onde a bomba explodiu, durante uma apresentação ao ar livre por ocasião do Dia da Independência.

O presidente bielo-russo, que em nenhum momento citou a palavra "terrorismo" e nem a versão oficial da Polícia, que fala em "ato de vandalismo", chamou os autores do "vil ataque contra os habitantes civis" de "covardes".

Lukashenko disse que não saiu da apresentação depois da explosão, mas que se aproximou do local do incidente, pois estava certo de que o objetivo dos criminosos era "espalhar o pânico e obrigar a retirada do presidente", segundo a agência russa "Interfax".

O presidente bielo-russo prometeu que os autores do ataque "serão punidos com todo o rigor da lei" e destacou que, além da KGB bielo-russa, os serviços secretos da Rússia também participarão das investigações e que propôs uma cooperação com os Estados Unidos.

"Ordenei aproveitar essa ajuda em caso de necessidade. Estamos agradecidos, pois a assistência técnica dos serviços secretos americanos pode ser útil", disse Lukashenko, apesar de Washington tê-lo declarado "o último ditador da Europa".

Lukashenko descartou à imprensa os temores da oposição de que seu Governo aproveitará esse incidente para mais medidas duras no país, e destacou diferenças entre as atitudes das distintas forças da oposição.

O presidente disse que a pró-ocidental Frente Popular Bielo-russa manifestou indignação, condolências às vítimas e exigências de punição aos responsáveis, enquanto os comunistas chamaram o ataque de "provocação por parte das autoridades".

"Que ideologia fascista seria essa de dinamitar gente indefesa para se desfazer de forças indesejáveis?", perguntou.

O Ministério da Saúde de Belarus afirmou hoje que a explosão deixou 55 feridos, dos quais 47 foram hospitalizados e 26 tiveram que ser operados. Quarenta pessoas ainda estão internadas nas clínicas de Minsk.

Os feridos apresentam traumatismos em extremidades inferiores, peito e abdômen, já que a bomba, de fabricação caseira, tinha porcas, parafusos e outros objetos metálicos, que ficaram espalhados sobre o asfalto.

A Polícia, que ontem não descartou que entre os feridos esteja a pessoa que carregou a bomba, anunciou hoje uma recompensa por informações que ajudem a prender os responsáveis pelo atentado, incluindo relatos, fotos e gravações de vídeo da apresentação.

O Ministério do Interior de Belarus tinha informado um dia antes que os agentes encontraram uma segunda bomba em Minsk, o que ajudaria a investigar a explosão, mas fontes policiais disseram depois que ela detonou quando os agentes tentavam desarmá-la. EFE si/wr/an

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